A Procuradoria Geral da República anunciou na quarta-feira ter arquivado a averiguação preventiva à Spinumviva, a empresa criada por Luís Montenegro quando se preparava para abandonar o escritório de advocacia e entretanto transferida para o nome dos filhos após rebentar o escândalo das avenças da Solverde e outras empresas às quais prestava serviços de consultoria e proteção de dados.
“Este caso teve um desfecho judicial, mas a sua dimensão política permanece muito viva e o Bloco de Esquerda não deixará, evidentemente, de criticar um primeiro-ministro que, do ponto de vista político, cometeu erros graves com prejuízo para o país”, afirmou José Manuel Pureza esta quinta-feira em Coimbra.
Para o coordenador bloquista, esta “é uma história da qual ninguém sai bem. Sai mal um primeiro-ministro que não deu contas ao país sobre ter uma empresa na sua sala de jantar e que fez da investigação judicial um jogo político, arrastando o país para eleições por causa desse jogo político”, destacou.
Além de Montenegro, também “não sai bem” o procurador-geral Amadeu Guerra, que “no âmbito de uma investigação que decorreu durante meses, pré-anunciou o seu fecho com uma prenda de Natal, antecipando que seria por estes dias que isso viria a suceder”.
O Ministério Público concluiu não haver “notícia da prática de ilícito criminal" que o levasse a abrir um inquérito, o que daria aos investigadores mais poderes para aprofundar a investigação. Uma das denúncias tinha sido apresentada pela ex-eurodeputada Ana Gomes, que a fez chegar também à Procuradoria Europeia. Esta denúncia também foi arquivada no final de novembro, com a justificação de que os fundos europeus de que a Solverde beneficiou tinham sido atribuídos ainda durante o governo de António Costa.
Luís Montenegro reagiu à notícia do arquivamento com críticas aos jornalistas e ao Ministério Público, reafirmando que sempre foi primeiro-ministro em exclusividade “e nunca fui avençado de ninguém desde que fui eleito presidente do PSD”.