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Caso de tráfico sexual de menores leva à demissão de secretário do Trabalho de Trump

O ex-secretário do Trabalho de Trump, Alexander Acosta, era procurador em Miami quando estabeleceu com milionário Jeffrey Epstein um acordo que permitiu a este escapar com uma condenação considerada demasiado leve para um caso de trafico sexual de menores.
Alexander Acosta a falar numa conferência conservadora em 2018.
Alexander Acosta a falar numa conferência conservadora em 2018. Foto de Gage Skidmore

Esta sexta-feira, Alexander Acosta, Secretário de Estado do Trabalho no executivo de Donald Trump apresentou a sua demissão do cargo. Tinha passado os últimos dias sob o fogo cerrado das críticas de vários setores políticos que o acusavam de indulgência face ao caso de Jeffrey Epstein, um especulador acusado de crimes sexuais com menores.

O caso remonta a 2005. Na sequência de denúncias, a polícia de Palm Beach, na Flórida, investiga Epstein por abuso sexual de menores. Em 2008, concluído um processo de investigação com duas mil páginas, o milionário passou a enfrentar acusações de abusos de, pelo menos, 40 menores. O texto acusatório não tinha quaisquer dúvidas sobre a culpabilidade de Epstein.

Contudo, este escapou de penas mais pesadas fazendo um acordo confidencial e declarando-se culpado de crimes menores relacionados com prostituição. Acabou por apenas cumprir 13 meses de prisão em regime aberto, o que lhe permitia ir trabalhar todos os dias para além de ser registado como agressor sexual.

O homem por detrás deste acordo, considerado agora demasiado indulgente para com o empresário, é Alexander Acosta que será depois secretário do Trabalho no governo de Trump.

O caso voltou à baila uma vez que Jeffrey Epstein foi preso este fim de semana sendo acusado, desta feita em Nova Iorque, de tráfico sexual de menores a partir dos 14 anos. O milionário atraia as menores para sua casa e pagava por atos sexuais. Pagava ainda às menores para angariarem outras de forma a estabelecer uma rede alargada. Na investigação ficou provado que Epstein procurava intencionalmente menores. E a condenação que enfrenta pode chegar aos 45 anos.

Nos dias antes de se demitir, Acosta ainda garantiu que a sentença foi “a mais dura possível” num caso “complexo e difícil”.

Para além dos seus ganhos milionários na banca de investimento, Epstein é conhecido pela sua proximidade com alguns dos presidentes norte-americanos. Primeiro com Bill Clinton, agora com Donald Trump. Este em 2002 dizia à Nymag sobre Epstein: “conheço o Jeff há 15 anos. Um gajo brutal. É muito divertido estar com ele, Até se diz que gosta de mulheres bonitas tanto como eu e muitas delas são do lado jovem”.

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