Casa Branca quer apoio do Congresso para reclassificar a canábis

07 de abril 2014 - 14:38

Sob pressão da opinião pública e do setor da economia ligado à canábis, a administração Obama fez saber que quer envolver o Congresso para tirar a canábis da lista das substâncias mais perigosas.

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O Procurador-Geral norte-americano Eric Holder disse aos Senadores que a Casa Branca vê com bons olhos uma proposta para tirar a canábis da lista das substâncias mais perigosas. Foto Ryan J. Reilly/Flickr

O Procurador-Geral Eric Holder afirmou na sexta-feira num comité do Congresso norte-americano  que “teria muito gosto em trabalhar com o Congresso se houver interesse em olhar e reexaminar a forma como a droga está classificada”, que é neste momento a Tabela I, juntamente com a heroína, LSD e ecstasy, entre outras. “Isto é algo que o Congresso terá de mudar e eu creio que a nossa administração ficaria satisfeita por trabalhar com o Congresso se tal proposta fosse feita”, prosseguiu o Procurador-Geral, citado pelo Huffington Post.

Em fevereiro, um grupo de 18 congressistas do Partido Democrata já tinham apelado a Obama para desclassificar a canábis, argumentando que “não faz nenhum sentido considerá-la mais perigosa que a cocaína ou a metanfetamina”, para mais quando o próprio presidente - cuja administração tem o poder para desclassificar sem necessidade de autorização do Congresso - acabara de declarar numa entrevista que não achava a canábis mais perigosa que as bebidas alcoólicas.

Desde o início do ano, mais de 70 leis sobre a canábis foram introduzidas em mais de metade dos estados norte-americanos, o dobro do ano passado e o triplo do ano anterior. Uma das mais significativas foi a “Farm Bill”, assinada por Obama, que inclui uma emenda para legalizar a produção de cânhamo industrial para fins de investigação nos estados que o pemitam. Os Estados Unidos tiveram uma grande tradição na produção de cânhamo desde os anos coloniais, tendo atingido o auge durante a II Guerra Mundial com a colheita de 68 milhões de toneladas, usadas para o vestuário, cordas, óleo para iluminação, cosméticos e muito mais. Com a guerra às drogas, a produção caiu para zero no final da década de 1950.

Um dos argumentos para a reclassificação da canábis é justamente abrir a possibilidade para que a investigação da planta se possa desenvolver, mas também permitir a dedução de impostos para um setor da economia que olha para a canábis como o próximo grande negócio não apenas enquanto produto psicoativo, mas também em áreas como a medicina ou a alimentação.