“Enquanto vemos que, perante o perigo efectivo da movimentação social contra o descalabro das injustiças e do empobrecimento, os ricos nalguns países e os respectivos governos vão dando sinais de preocupação e mostram disponibilidade para um imposto sobre os ricos, Portugal nem tem um Governo mobilizado para fazer isto e nem os próprios ricos mostram essa vontade”, disse Carvalho da Silva.
A taxa sobre a riqueza “é uma necessidade, mas o problema não se resolve só com um imposto específico. Há várias dimensões deste problema para trazer a riqueza a contribuir para o bem comum como qualquer cidadão”, disse à agência Lusa Manuel Carvalho da Silva.
“Os ricos vão pagando impostos, só que pagam de forma segmentada, não pagam taxas correspondentes ao global da riqueza que têm”, disse o líder da CGTP, defendendo em alternativa o combate às transferências para offshores, à fraude e evasão fiscal e à economia clandestina, bem como a taxação das operações bolsistas.
O governo já deu sinais de querer introduzir um aumento de tributação dos mais ricos no Orçamento de Estado para 2012, mas tudo aponta que seja apenas sobre o rendimento - que hoje é taxado a 46,5% no IRS quando é acima de 153.300 euros anuais - deixando de fora o património. O Correio da Manhã cita as últimas estatísticas da Direcção Geral de Contribuições e impostos que indicam que os 3736 agregados familiares que ganharam mais de 250 mil euros pagaram em 2009 menos 9,3% de imposto, num total de 164 milhões.