Carlos Vaz Marques vítima de “bullying profissional” pelo Global Media

19 de agosto 2021 - 13:41

O jornalista descreve a situação atentatória da sua dignidade profissional a que esteve sujeito nos últimos meses e anuncia que a sua relação com o Global Media Group, dono da TSF, “lamentavelmente terá de ser resolvida em tribunal”.

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Carlos Vaz Marques, foto publicada na sua página de Facebook.

“Nunca pensei, ao fim de mais três décadas de dedicação, vir a ser colocado pelo Global Media Group, actual detentor da marca TSF, na situação atentatória da minha dignidade profissional a que estive sujeito nos últimos meses”, escreve Carlos Vaz Marques numa publicação na sua página de Facebook.

No texto, intitulado “A TSF e eu: uma longa relação feliz com um desfecho lamentável”, o jornalista explica que não pode continuar a aceitar esta situação “por respeito pelo legado histórico da TSF, em memória do esforço daqueles” com quem ajudou “a construir uma marca de referência” e, acima de tudo, pela sua “dignidade pessoal e profissional”.

Durante os últimos meses, Carlos Vaz Marques foi vítima de “bullying profissional”. Conforme relata, após o fim do programa ‘O Livro do Dia’, por decisão unilateral da TSF, o novo diretor decidiu que, “depois de mais de uma década sem qualquer aumento salarial”, deveria impor ao jornalista um corte no vencimento para menos de metade.

A essa “proposta inaceitável”, Carlos Vaz Marques contrapôs com o regresso do programa ou uma rescisão amigável, “nos termos em que no ano passado outros jornalistas deixaram a empresa”. A atual direção da TSF recusou ambas as sugestões e foi perentória: “Teria mesmo de ficar na empresa com o salário amputado. Ou isso ou voltar aos turnos de noticiários”.

O autor de outros programas como “Pessoal e… Transmissível” e moderador do “Governo Sombra” acabou por ser colocado numa equipa de turno: “ao longo dos últimos meses a minha actividade profissional limitou-se (nos dias em que houve alguma coisa para fazer, pois na maior parte deles em nada pude contribuir para a antena da TSF, embora sujeito a cumprir horário), a uns telefonemas de circunstância e à recolha de curtas declarações telefónicas gravadas a respeito de temas correntes, frequentemente sem qualquer relevância noticiosa”.

Carlos Vaz Marques decidiu “ser tempo de não aceitar mais ofensas” à sua “honra e dignidade profissional” e informa que a sua relação com o Global Media Group, atual detentor da marca TSF, “lamentavelmente terá de ser resolvida em tribunal”.

Não obstante este “desfecho lamentável”, o jornalista não esquece o que a sua permanência na TSF teve de bom.

“Os desenvolvimentos recentes são um epifenómeno face ao muito que devo à TSF”, aponta, referindo que foi na TSF que encontrou “o caldo de cultura único onde viria a formar-me e que guardo como património inigualável de aprendizagem pessoal e profissional”.

Carlos Vaz Marques destaca a sorte grande que teve na vida ao ter-se “cruzado, tornado amigo e trabalhado” com “profissionais que eram já referências” e “gente nova e promissora”. Bem como afirma-se “devedor das imensas oportunidades profissionais” que a TSF lhe proporcionou.

“A minha experiência profissional de mais de três décadas é um capital pessoal inesgotável e foi seguramente, ao longo do tempo, um capital valioso que contribuiu para a afirmação da rádio a que me entreguei com uma dedicação reconhecida e por diversas vezes premiada”, escreve.

Numa resposta por escrito ao jornal Público, através da assessoria de imprensa, a administração da empresa “rejeita todas as acusações”. “O âmbito que seguirá para tribunal esclarecerá o comportamento de cada uma das partes neste processo”, informa.