A notícia do New York Times cita membros das forças de segurança do Paquistão, que dão a entender que a CIA foi usada pelo governo paquistanês para montar esta operação que teve como resultado directo o fim do diálogo entre o governo de Karzai e os líderes rebeldes. Nas semanas que se seguiram, outros 23 líderes talibã foram detidos, após terem sido protegidos pelo governo paquistanês durante anos.
"Apanhámos Baradar e os outros porque estavam a tentar fazer um acordo sem nós", afirmou um responsável do serviço de segurança paquistanês ao jornal nova-iorquino a coberto do anonimato. "Nós protegemos os talibãs. Eles dependem de nós. Não vamos permitir que façam um acordo com Karzai e os indianos", acrescentou.
Também sem querer ser identificado, uma patente superior da NATO em Cabul admitiu que a prisão de Baradar serviu para o Paquistão ganhar tempo e controlar o timing das negociações. Ainda de acordo com o NY Times, se a estratégia de Obama resultar, o Paquistão verá com bons olhos um acordo. Mas em caso de fracasso, com o início da retirada dos EUA, convirá ao governo de Islamabad manter os talibãs na sua dependência.
Os contactos em janeiro entre Baradar - considerado o nº 2 do mullah Omar e o líder militar talibã - e o irmão do presidente afegão, Walli Karzai, são negados por este mas confirmados quer por fontes talibã quer da NATO. E também é sabido que o responsável dos serviços secretos afegãos também se encontrou com líderes talibãs no Dubai.
Uma fonte próxima do governo afegão diz que as negociações estavam ainda numa fase preliminar, com ambas as partes a estabelecerem condições para as conversações propriamente ditas. Baradar encontra-se agora a viver confortavelmente numa casa dos serviços secretos paquistaneses e muitos dos líderes talibãs detidos já terão sido libertados para regressarem aos combates, depois de aconselhados a não repetirem iniciativas de acordos de paz "por conta própria".
Captura de líder talibã travou negociações de paz
23 de agosto 2010 - 17:07
A prisão do número 2 dos talibãs em janeiro foi apresentada como uma vitória na luta contra o terrorismo. Mas os paquistaneses dizem agora que só quiseram atrasar as negociações secretas de paz que estavam em curso - e que os deixavam de fora - entre os talibãs e o governo afegão.
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Agentes paquistaneses dizem que a prisão do líder talibã em janeiro serviu para acabar com as negociações de paz entre talibãs e o governo afegão. Foto DVIDSHUB/Flickr