Com 58,16% dos votos, o candidato da ultradireita conseguiu absorver o eleitorado de Franco Parisi, a grande surpresa da primeira volta e que não tinha dado indicação de voto para a eleição deste domingo. Deixou assim a larga distância a candidata comunista e ex-ministra do Trabalho apoiada pela esquerda, Jeanette Jara, que obteve 41,84% dos votos. A vitória tinha sido anunciada por todas as sondagens, embora a margem tenha sido superior ao que indicavam, com a vitória de Kast em todas as regiões.
No seu discurso de vitória, Kast insistiu nos temas que tornaram a campanha numa das mais polarizadas de sempre, como “o medo que atormenta as famílias” por causa da insegurança, uma perceção alimentada pelos media e que é superior à dos restantes países da região, apesar do Chile ter taxas mais baixas de criminalidade.
O discurso antimigração, em especial dirigido aos refugiados da Venezuela, o principal alvo da sua promessa de deportações massivas de 330 mil pessoas, foi um dos temas fortes da campanha deste admirador de Pinochet, filho de um soldado da Alemanha nazi e irmão de um ministro da ditadura, que alcança agora aos 59 anos a Presidência chilena na sua terceira tentativa para lá chegar.
Ao contrário das duas anteriores campanhas, em que seguiu a agenda política ultracatólica com críticas ao aborto e à comunidade LGBT, desta vez seguiu a agenda trumpista, retratando o Chile como um país prisioneiro do narcotráfico e o presidente salvadorenho Bukele como um exemplo, copiando-lhe a proposta de construir prisões de alta segurança e apertar o controlo da população em nome do combate à criminalidade.
Jeanette Jara reconheceu a derrota, felicitando pessoalmente o opositor e prometendo continuar a trabalhar pelo país. “Cabe-nos ser oposição”, afirmou a candidata, garantindo que “a derrota é sempre breve”. Também o atual Presidente Gabriel Boric falou ao país após felicitar Kast pela vitória, sublinhando a “grande responsabilidade” que agora lhe cabe para trabalhar pelo “bem-estar do nosso povo, que é o que faz avançar o Chile”. A Constituição chilena impede a recandidatura presidencial a um segundo mandato e o resultado de Jara não lhe augura grande futuro na liderança do espaço político à esquerda, pelo que os analistas não descartam um regresso de Boric às presidenciais de 2030.
Kast agradeceu o telefonema e disse que pretende fazer “uma transição muito ordenada e respeituosa” e ter a vontade de ouvir a opinião de Boric mesmo depois de tomar posse no próximo mês de março.