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Câmara de Madrid proíbe concerto de Luis Pastor e do seu filho

O concerto de Luis Pastor e do seu filho Pedro Pastor estava programado para as festas de Aravaca. Tinha sido contratualizado pela gestão anterior mas foi cancelado em cima da hora. Há poucas semanas um concerto da banda Def com Dos foi igualmente cancelado.
Concerto de Luis Pastor e de Pedro Pastor.
Concerto de Luis Pastor e de Pedro Pastor. Foto: facebook de Pedro Pastor.

O executivo de coligação entre o PP de José Luis Martínez Almeida, o Ciudadanos de Begoña Villacís e o partido de extrema-direita Vox cancelou, pela segunda vez em poucas semanas, um espetáculo musical de bandas com as quais discorda politicamente. No início de julho, o concerto do Def con Dos, agendado para Tetuán, tinha desaparecido da programação.

Agora foi a vez da dupla Luis Pastor/Pedro Pastor ver impedida a sua atuação. Contra a vontade dos organizadores. A Comissão de Festas de Aravaca, um bairro da capital espanhola, esclareceu que o concerto tinha sido antes aprovado por unanimidade por todos os grupos municipais e considerou a exclusão uma “decisão ideológica”.

No twitter, Pedro Pastor fala em censura e numa mistura “estranha de incredulidade, raiva e impotência”. O concerto que ia protagonizar com o seu pai, o histórico cantautor Luis Pastor, e que servia de promoção para o seu novo álbum, Vulnerables, foi o único que desapareceu da programação.

Pedro Pastor esclarece que faz parte de “uma banda 100% auto-gerida que há mais de sete anos rema para poder viver das nossas canções, uma banda para a qual cada contratação é um tesouro porque a ganhámos, porque nos dá de comer.”

E acrescenta: “entendo que a arte é uma ferramenta de consciência, de alegria, de coletividade e de libertação. Entendo que a direita do nosso país se assuste com a arte, se assuste com a consciência, a alegria, a coletividade e a liberdade mas já vivemos 36 anos de ditadura”.

Ao contrário da anulação do concerto dos Def com Dos, esta não foi explicada pela autarquia. No caso da banda de hip hop, a retórica tinha sido mais agressiva com o executivo de Almeida a considerar “indigno” de uma instituição que representa todos os madrilenos” promover uma banda cujo cantor foi “condenado pelo Supremo por enaltecimento ao terrorismo”. César Strawberry foi um dos alvos da “Operação Aranha”, uma operação desenvolvida pela Guardia Civil na sequência da chamada “lei mordaça”, que atacou músicos e jornalistas como Boro, do portal internet La Haine, devido a mensagens publicadas no twitter. A Amnistia Internacional declarou que a Operação Aranha co-substanciava um caso de restrição injustificada da liberdade de informação, expressão e reunião.

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