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Câmara de Loures duplica chefias e aumenta despesa em mais de 1 milhão e 400 mil euros

Bloco de Esquerda de Loures acusa o executivo camarário de, ao invés de fazer face aos problemas estruturais com que o concelho se confronta, aumentar despesas com novas chefias e criar “ jobs for the boys and for the girls” do PS e PSD.
Presidente da Câmara Municipal de Loures, Ricardo Leão. Foto de Tiago Petinga, Lusa.

De acordo com a estrutura concelhia do Bloco de Esquerda, a Câmara Municipal de Loures passará a ter 17 unidades orgânicas, mais oito para além das já existentes, 66 unidades flexíveis, o equivalente a um aumento de 33 unidades, e três Diretores Municipais, quando não tinha nenhum até ao momento. Esta multiplicação de cargos vai custar ao município mais de um milhão e quatrocentos mil euros.

O Bloco assinala que, ao mesmo tempo que “não há dinheiro para renovar as condutas”, para “responder à crise habitacional”, implementar “políticas solidárias na ação social escolar” ou assegurar “transportes públicos gratuitos”, há dinheiro para “multiplicar as despesas com cargos de chefia”.

Na reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Loures que se realizou na passada quinta-feira, Rita Sarrico desafiou o autarca Ricardo Leão a, “em nome da decência”, garantir que estes novos cargos serão “ocupados por concursos transparentes e não por nomeação direta, com o critério prevalecente a ser o cartão partidário”.

“O pior que podia acontecer aqui em Loures seria somar a uma despesa desnecessária os jobs for the boys and for the girls do PS e do PSD”, frisou a deputada municipal do Bloco.

Rita Sarrico pediu ainda esclarecimentos sobre as “prioridades” do autarca Ricardo Leão, que está a ponderar alterar as normas que asseguram que todos os alunos de nível socioeconómico mais baixo tenham acesso a refeições gratuitas.

A dirigente bloquista lembrou que o autarca alega que nem todos os encarregados de educação são honestos quanto aos seus rendimentos.

“Senhor presidente, é a mesma lógica do discurso demagógico, distante da realidade, a que estávamos habituados a ouvir da direita populista e, pelos vistos, isso sim, aqui em Loures contaminou a cabeça do Partido Socialista”, assinalou a dirigente do Bloco.

Rita Sarrico questionou diretamente Ricardo Leão: “Se uma despesa de mais de um milhão e seiscentos euros, que garante, muitas vezes, que as crianças tenham pelo menos uma refeição por dia, o indigna tanto, como é que consegue propor, em consciência, que a Câmara Municipal de Loures passe a gastar mais de um milhão e quatrocentos mil euros anualmente para pagar os novos cargos de chefia que quer implementar?”

“Não há dinheiro para cumprir as promessas eleitorais do PS”, mas “há sempre dinheiro para multiplicar as chefias na Câmara Municipal de Loures”, realçou a deputada municipal.

Em comunicado, o Bloco de Loures critica também o PSD, “para quem o cartão partidário fala mais alto do que a competência, o mérito e a formação específica”. O partido dá o exemplo da escolha, em 2017, do jurista do PSD João Ramos Patrocínio para chefiar a Unidade de Serviços de Veterinário Municipal, apesar de não dispor das competências necessárias e da objeção do Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários, que se pronunciou no sentido de o cargo ser preenchido por um veterinário.

Na missiva é repudiada a postura do PSD Loures na política municipal, onde “encontramos as piores práticas, o que todos os cidadãos honestos condenam: o favorecimento partidário, o pacto em nome de favores, o emprego para o amigo do partido”.

O Bloco compromete-se a “acabar, de uma vez por todas, com as nomeações e os falsos concursos que favorecem o cartão partidário” e a “começar a privilegiar a competência, a formação técnica e especializada e o mérito” para “escolher os melhores e os mais competentes'’.

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