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Câmara de Lisboa despeja mulher e duas crianças

Esta sexta-feira, uma mulher e as suas duas crianças, de 2 e 9 anos, foram despejadas da casa onde moravam pela Câmara Municipal de Lisboa sem que lhes fossem dadas alternativas. Bloco contesta ação da Câmara e quer alternativas.

À família despejada juntar-se-ão moradores apoiantes e ativistas na Câmara Municipal de Lisboa (CML), na Rua do Arsenal, onde exigirão soluções de habitação adequada para a família.

“A forma como este processo decorreu torna evidente que os direitos humanos, a dignidade e o superior interesse da criança não valem nada neste país e não valem nada para a Câmara Municipal de Lisboa.”, afirmou o coletivo Habita através de um comunicado.

De acordo com a Habita, a senhora despejada estava há mais de dois anos a dirigir-se aos serviços sociais de forma a resolver o seu problema de habitação. Depois de ter concorrido várias vezes a concursos públicos de habitação, foi falar numa reunião da câmara, sem nunca ter tido uma resposta satisfatória de apoio ou de habitação.

A Santa Casa indicou-lhe um quarto no arrendamento privado, onde passou a viver com as crianças. Posteriormente, foi despejada ilegalmente pela senhoria, que vendeu o edifício. Viu-se novamente na rua, voltou a recorrer à Santa Casa e à Câmara, mas já não teve nenhum apoio.

Com duas crianças a seu cargo, já depois de ter sido posta na rua com elas pelo ex-marido, acabou por ocupar uma casa pública, da CML, vazia há anos. Nesta situação, continuou a dirigir-se à CML, à procura de uma solução estável, não obtendo respostas.

Esta sexta-feira, foi surpreendida por vários polícias à sua porta, que invadiram a casa, a mandaram arrumar os seus pertences e a expulsaram, assim como aos filhos. Não estavam presentes quaisquer serviços de apoio social, não estavam previstas quaisquer alternativas.

Só mais tarde é que a CML mobilizou serviços sociais, após a denúncia da Habita, tanto da “desumanidade do processo” como da exposição das “ crianças à violência do despejo” ou ainda da falta de alternativas dadas ou mesmo de acompanhamento.

Ricardo Moreira, deputado municipal do Bloco, deslocou-se até à habitação, afirmando que “não tem sentido continuar a haver despejos nos bairros municipais de pessoas que não encontram alternativa”. Moreira defende que “estas pessoas têm de ter casa, tem de haver habitação social para estas pessoas, que não encontram alternativa e estão a ser empurradas dos sítios onde estavam pela lei Cristas”.

 

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