A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, anunciou que ficou esta quinta-feira concluída a criação de uma barreira que encerra o acesso ao Cais do Ginjal e que todas as pessoas que vivem naquela zona terão de sair, confirmando que a Câmara Municipal procede ao despejo sem alternativa dos moradores daquela área.
O movimento Vida Justa criticou a autarquia e Inês de Medeiros pelos despejos sem solução de alojamento a longo prazo. No comunicado enviado à Lusa, o movimento diz que os moradores “estão em risco de ser brutalmente retirados da sua rotina, sendo obrigados a faltar ao trabalho ou à escola, acumulando problemas pelos quais serão depois penalizadas”.
Os moradores, apoiados pelo movimento, exigem a suspensão de todos os despejos e demolições sem alternativas dignas, uma intervenção no caminho pedonal do Ginjal, e que seja feito um apuramento sério da situação social das famílias. A necessidade dos moradores é que seja encontradas soluções dignas para as pessoas desalojadas, tendo em conta, igualmente, a existência de criança e a necessidade de acautelar a sua estabilidade.
A degradação da zona de domínio público hídrico não é negada, mas as situações habitacional das pessoas fica colocada em questão e não são fornecidas soluções a longo prazo para os moradores. Segundo a autarca, será ativada uma Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP) para acolher, durante cerca de duas semanas, as 50 pessoas que vivem em vários edificados da zona do Ginjal.
A deputada do Bloco de Esquerda e vereador na Câmara Municipal de Almada, Joana Mortágua, esteve no Cais do Ginjal esta semana, criticando a falta de respostas às pessoas que ali moram. “Há pessoas que viveram aqui durante décadas, que cuidaram deste espaço, que criaram aqui uma comunidade que cuida deste espaço e que acolhe muita gente que precisa”.
“É essa gente que agora está em risco de ser expulsa daqui e uma derrocada pode pôr por a sua vida em risco”, disse a dirigente bloquista. “O que nós queremos garantir é que ninguém é retirado do Ginjal sem ter uma alternativa”.