De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), afrágil camada de ozono na região árctica sofreu perdas da ordem dos 40 por cento desde o início do Inverno até ao fim de Março, excedendo as previsões sazonais de 30 por cento, ainda de acordo com a agência meteorológica das Nações Unidas.
A OMM atribui a situação principalmente à acumulação de produtos químicos consumidores de ozono usados como refrigeradores e retardadores do aquecimento em diversos aparelhos e máquinas e às temperaturas muito baixas registadas na estratosfera, a segunda maior camada da atmosfera da Terra.
As condições do ozono na zona árctica variam mais do que o “buraco” sazonal que se forma em todos os Invernos e Primaveras na estratosfera sobre o Pólo Sul e as temperaturas aí registadas são sempre mais elevadas do que sobre a Antárctida.
Devido às alterações climáticas e às temperaturas, em alguns Invernos árcticos não se registam quase perdas de ozono mas noutros casos, devido a temperaturas excepcionalmente baixas na estratosfera, verificam-se substanciais reduções da espessura da camada, afirmam os cientistas das Nações Unidas.
No período em curso, a temperatura do Inverno árctico esteve acima da média, mas mais baixa do que é normal na estratosfera. Os cientistas afirmam que as recentes perdas na espessura da camada – sem precedentes mas não completamente inesperadas – foram detectadas através de observações realizadas no solo e em balões e satélites sobre o Árctico.
Os cientistas que estudam os fenómenos atmosféricos estão preocupados com os efeitos do aquecimento global no Árctico porque se trata de uma região onde se calcula que se devam fazer sentir em primeiro lugar.
Os estudiosos das questões da camada de ozono afirma que uma tão significativa perda de espessura no Árctico é possível no caso de um Inverno frio e estável na estratosfera árctica. As perdas de ozono nas regiões polares ocorrem quando as temperaturas caem abaixo dos 78 graus centígrados negativos, quando se formam nuvens na estratosfera.
As temperaturas médias em Janeiro variam entre 40 graus negativos e zero; em Julho essa variação é entre dez graus negativos e dez positivos.
“A estratosfera árctica continua a ser vulnerável à destruição do ozono provocada por substâncias resultantes das actividades humanas”, considera Michael Jarraud, secretário geral da OMM. “O grau de perdas de ozono em cada Inverno depende das condições meteorológicas”, acrescentou.
A degradação da camada protectora de ozono continua a verificar-se apesar do Protocolo de Montreal de 1987, no qual se prevêem cortes na utilização de produtos químicos nocivos para o ozono como os cloroflúorcarbonetos e outros usados no fabrico de frigoríficos, aparelhos de ar condicionado, extintores e até pulverizadores de laca para o cabelo.
No entanto, uma vez que os produtos nocivos têm um longo período de vida na atmosfera os cientistas consideram que será necessário esperar décadas até que as concentrações desçam aos níveis registados antes de 1980, o objectivo definido no Protocolo de Montreal. Cientistas da OMM calculam que a camada de ozono sobre as regiões polares deverá regressar aos níveis anteriores a 1980 algures entre os anos 2030 e 2040.
Artigo publicado no site www.beinternacional.eu