Café Embaixador: Bloco denuncia "enorme desprezo" pelos direitos dos trabalhadores

02 de janeiro 2023 - 20:08

Uma delegação do Bloco reuniu esta segunda-feira no Porto com trabalhadores despedidos do Café Embaixador, mais um estabelecimento histórico a encerrar portas naquela cidade.

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Reunião com trabalhadores despedidos do Café Embaixador. Foto Esquerda.net

Foi para denunciar o "enorme desprezo pelos direitos destes 16 trabalhadores do Café Embaixador" que Catarina Martins marcou presença esta segunda-feira, acompanhada do deputado José Soeiro e dirigentes bloquistas do Porto, num encontro com quem durante anos trabalhou neste estabelecimento. O seu encerramento é mais um passo atrás para a cidade do Porto, que está "a ficar sem os seus cafés e o seu comércio tradicional", denunciou a coordenadora do Bloco.

Catarina apontou o aumento das rendas provocado por uma lei das rendas que ainda não foi revogada e leva o preço a disparar "não só nas habitações mas também para o comércio, e o comércio tradicional não consegue sobreviver". Mesmo os apoios criados por algumas autarquias às chamadas lojas históricas "protegem só por alguns anos e a seguir as rendas podem aumentar 10 vezes", lamentou.

"Tenho dúvidas de que façam mais falta ao centro do Porto hotéis ou franchisings de grandes cadeias alimentares internacionais do que os cafés e o comércio tradicional que têm vindo a fechar e fazem parte da história da cidade", prosseguiu Catarina, defendendo que "é preciso agir rapidamente", a começar pela revogação da lei e acabar com os regimes de benefícios fiscais aos fundos de investimento, a residentes não habituais ou os vistos gold que levam a que "as nossas cidades fiquem descaracterizadas".

Por outro lado, "não é aceitável que nenhum negócio, mesmo que pressionado pela especulação imobiliária, possa tratar os trabalhadores como descartáveis", como foi feito com estes 16 trabalhadores do Café Embaixador. Mas eles não são caso único. "Temos notícias permanentes de despedimentos que não cumprem a lei, os trabalhadores não são avisados e não veem os seus direitos garantidos e as instituições do Estado são demasiado lentas a agir", criticou a coordenadora do Bloco.

Por outro lado, as compensações por despedimento "continuam nos níveis da troika, muito baixas". Por isso, é fundamental "reconstituir os direitos básicos dos trabalhadores", a começar por aprovar as propostas da esquerda que o Parlamento tem debatido no âmbito da agenda do trabalho digno.

Dificuldades aumentam, mas o primeiro-ministro diz que "está tudo bem"

Questionada pelos jornalistas, Catarina Martins falou da crise do Governo na sequência do escândalo da indemnização à ex-administradora - e agora ex-governante - da TAP e criticou ainda um primeiro-ministro por manter o silêncio sobre o assunto, preferindo escrever "um artigo de opinião no primeiro dia do ano dizendo como estava tudo bem no país, quando a generalidade das pessoas não sabe como é que há-de pagar a prestação da casa que está a subir ou se vai ou não ser despejada da casa que arrendou, quando ir ao supermercado custa mais 20% do que custava há um ano, quando os salários estão cada vez mais curtos e quando ainda por cima o Governo aparentemente convive tão bem com regimes de privilégio de uma elite de administradores".

"Não, não está tudo bem", contrapôs Catarina, lembrando as propostas do Bloco que o PS chumbou para repor salários e pensões e evitar que este seja o primeiro ano em que o salário mínimo perde poder de compra face à inflação.

"Aumentar salários não aumenta a inflação. Quam ganha com a especulação ganha cada vez mais e temos maiores desigualdades. A perda de poder de compra sigifica crise económica", acrescentou Catarina, defendendo que "mesmo o aumento do salário mínimo para os 850 euros que o Governo chumbou é já insuficiente face ao aumento da inflação. Quem vive com salários mais baixos gasta quase todo o rendimento em bens essenciais que já aumentaram 20%, bem acima da taxa de inflação".

Na resposta à crise, "o que o Governo tem feito são apoios sociais pontuais. Mas isso é uma política profundamente errada e com efeitos perversos do ponto de vista económico e social", defendeu.