Ministro das Finanças "esforçou-se muito por não saber" o que se passava na TAP

02 de janeiro 2023 - 18:18

A coordenadora do Bloco afirmou que na TAP "há um regime de privilégio com que todo o Governo aparentemente convive muito bem e que protege não querendo saber".

PARTILHAR
Catarina Martins. Foto Ana Mendes

Catarina Martins reuniu esta segunda-feira com os trabalhadores do Café Embaixador, que foram surpreendidos com a notícia do seu despedimento e encerramento daquele espaço histórico da vida social do Porto. Mas foi a atualidade política que concentrou a atenção dos jornalistas, após uma semana de demissões no Governo.  

Sobre o caso que levou à saída de Pedro Nuno Santos do Ministério das Infraestruturas, Catarina Martins considerou "muito estranho" que "até agora não se conheça uma palavra do primeiro-ministro sobre este caso". Para a coordenadora bloquista, "não está nada explicado e uma demissão não apaga o problema", pois o que está à vista é que "ninguém quis saber o que se passava na TAP, há um regime de privilégio com que todo o Governo aparentemente convive muito bem e que protege não querendo saber".

O que se sabe, resumiu Catarina, é que "existe aparentemente um regime de privilégio no Conselho de Administração da TAP, uma empresa pública e que precisa de financiamento público, que cortou salários e despediu. E ainda ninguém explicou como é que nesta empresa é possível haver um regime de privilégio em que um administrador que sai pode levar mais de meio milhão de euros. Não sabemos se outros administradores que saíram levaram ou não indemnizações. Não sabemos nada".

O que também é estranho, prosseguiu, é que "o ministro Fernando Medina venha dizer que não sabia". E questionou-se "como é que [o ministro] foi chamar para secretária de Estado do Tesouro alguém que só tinha feito meio mandato à frente de uma empresa pública altamente intervencionada pelo Estado e não tenha perguntado o que é que aconteceu para que aquela pessoa não tivesse cumprido o seu mandato ou em que condições saiu?"

"O ministro das Finanças podia não saber nada, mas esforçou-se muito por não saber quando o seu trabalho era esforçar-se para saber", acrescentou a coordenadora do Bloco, antes de concluir que "com os dados que temos, parece-me não haver condições para ter como ministro das Finanças alguém que se esforçou tanto para não saber o que se passava numa empresa que o Ministério das Finanças tem de pagar com tantos milhões de euros". "Já lá vão cinco dias e o silêncio do primeiro-ministro é incompreensível", insistiu.

Questionada sobre os avisos deixados na mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Catarina lembrou que "o PS criou uma crise política para ter uma maioria absoluta, dizendo que com a maioria absoluta viria a estabilidade". Mas o que se vê é que "a maioria absoluta do PS só traz instabilidade ao país porque não tem nenhuma direção para este país: é incapaz de defender quem trabalha, de proteger salários e pensões, não há uma política para a habitação. Só há casos, descoordenação, complacência com o privilégio que ofende quem vive do seu trabalho", apontou.