Brigada Antiterrorista espanhola deteve 14 ativistas climáticos por ação pacífica

17 de junho 2022 - 13:31

Os manifestantes da Rebelião dos Cientistas tinham lançado água com beterraba ao edifício do Congresso, simbolizando as mortes devidas à crise climática. A polícia acusa-os agora de estragos no valor de 3.306,69 euros e de “atentado contra as altas instituições do Estado e desordem pública”.

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Ativistas da Rebelião dos Cientistas em frente ao Congresso espanhol. Foto de Àlvaro Minguito/El Salto Diário.
Ativistas da Rebelião dos Cientistas em frente ao Congresso espanhol. Foto de Àlvaro Minguito/El Salto Diário.

No passado dia 6 de abril, ativistas ambientais ligados à Rebelião dos Cientistas e à Rebelião da Extinção pintaram de vermelho as portas do edifício de Congresso espanhol num protesto contra a inação climática do governo. Esta quarta-feira, 14 deles foram surpreendidos com a detenção pela Brigada Antiterrorista da polícia espanhola.

Para chamar a atenção para a crise das alterações climáticas que coloca em perigo a humanidade, a Rebelião dos Cientistasm um grupo alargado de cientistas de várias áreas e de vários pontos do globo, organizou em uma semana de ações descentralizadas em 35 países. No seu manifesto, afirmavam a necessidade de “aplicar a desobediência civil não violenta face ao panorama desolador” relatados nos relatórios dos especialistas ONU. Foi o que aconteceu em Espanha, onde se pintaram de vermelho as escadas e colunas do pórtico do Congresso, simbolizando a ideia de “o atraso na ação climática significa mortes”. A polícia retirou alguns dos manifestantes à força do local, face à sua oposição passiva.

Marta Rivera Ferre, investigadora no CSIC-UPV, em conferência de imprensa, explicou que depois de ter “participado na elaboração de vários dos relatórios do IPPC” tinha “a sensação” de que era preciso “passar à ação” por estar “cansada de estar a repetir durante 12 anos praticamente o mesmo” e saber que “existe a necessidade de fazer uma mudança no sistema socioeconómico”.

Alguns dos participantes nesta ação foram detidos na quarta-feira pela Brigada Antiterrorista da polícia espanhola por “atentado contra as altas instituições do Estado e desordem pública” e “estragos a edifício singular protegido”. Para além dos militantes dos grupos já citados, há ainda membros dos Ecologistas em Ação como o filósofo Jorge Riechmann. Depois de interrogados foram colocados em liberdade.

Os ambientalistas sublinham que o “sangue” lançado contra o edifício era um líquido biodegradável à base de água e beterraba que “foi retirado pelos serviços de limpeza em questão de minutos”. A polícia estima os custos do que sucedeu em 3.306,69 euros.

Para além disso, a Rebelião dos Cientistas sublinha que “a ação decorreu de maneira pacífica e não impediu o desenvolvimento da atividade parlamentar” e que “a detenção de cientistas, académicos, jornalistas de divulgação científica, gestores e educadores ambientais, é um facto muito grave para a sociedade espanhola, pois trata-se de impedir uma ação cidadã global”.