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Brasil: Munições que mataram Marielle Franco foram compradas pela Polícia Federal

As munições utilizadas para matar Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro pelo PSOL, e o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, faziam parte de um lote comprado pela Polícia Federal em 2006. Este lote foi também usado num massacre que vitimou 23 pessoas em 2015, na Grande São Paulo.
Marielle Franco foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016. Foto de Facebook Oficial.

Mediante análise às cápsulas encontradas no local, a Perícia da Divisão de Homicídios conseguiu identificar a origem das munições utilizadas para executar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o seu motorista Anderson Pedro Gomes.

As munições pertenciam ao lote UZZ18, vendido à Polícia Federal, a 29 de dez de 2006. Segundo a perícia da Divisão de Homicídios, as munições utilizadas no crime são originais, ou seja, não foram recarregadas.

Este lote foi também usado em agosto de 2015 em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, num massacre que vitimou 23 pessoas. Neste caso, três polícias militares de São Paulo e um guarda civil foram condenados.

A vereadora Marielle Franco, que se apresentava como “mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré”, tinha-se tornado relatora da comissão de acompanhamento Intervenção Federal no Rio de Janeiro, tendo há dias denunciado a violência da polícia do estado carioca, que se encontra sob intervenção federal na segurança pública.

Brasil mobiliza-se contra execução de Marielle Franco

Várias cidades do Brasil têm sido palco de protestos contra a execução de Marielle Franco. No Rio de Janeiro, a mobilização foi massiva.

Nas últimas horas, os pré-candidatos às eleições presidenciais manifestaram o seu repúdio pela morte de Marielle Franco, à excepção do deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro. Segundo o assessor do deputado, a sua opinião seria "polémica demais".

O pré-candidato presidencial do PSOL, Guilherme Boulos, divulgou várias mensagens de pesar pela morte da vereadora, exigindo que as autoridades encontrem os responsáveis:

"Marielle era uma mulher, negra, vinda da favela. Uma mulher que denunciava abusos da polícia. Que era contra a intervenção militar no Rio e tinha coragem de enfrentar. Marielle não sofreu acidente ou assalto: foi executada"

Boulos garante seguir o exemplo de Marielle Franco "e lutar por justiça até as últimas consequências”.

Portugal junta-se aos protestos

Em Portugal, estão a ser convocadas iniciativas em memória de Marielle Franco. Veja aqui a lista das concentrações:
Convocadas várias concentrações em homenagem a Marielle Franco

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