Brasil e China fizeram duras críticas ao novo plano de estímulo à economia dos Estados Unidos anunciado esta quinta-feira. A Reserva Federal americana disse que vai comprar 600 mil milhões de dólares em títulos do Tesouro para reestimular a maior economia mundial. A compra será centrada em títulos com mais de quatro anos e vai durar até Junho. O objectivo é reduzir os juros de longo prazo (os de curto prazo já estão próximos de zero) e "promover um ritmo mais forte da retomada económica". Alguns economistas dizem que o estímulo para a economia será modesto, mas os exportadores sairão beneficiados pela provável queda do dólar.
É essa maior ainda desvalorização do dólar que está a ser alvo de críticas por parte de dirigentes de outros países, por poder agravar os desequilíbrios mundiais, como disse o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega. "Todo mundo quer que a economia americana se recupere, porém não adianta ficar jogando dólar de helicóptero", disse, adiantando que o Brasil utilizará o encontro do G20 como um fórum para reclamar da decisão do governo norte-americano.
O secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral, disse que a injecção de recursos na economia americana irá agravar a crise cambial e prejudicar os seus parceiros comerciais.
"É uma política de empobrecimento do vizinho. A consequência sempre é retaliação."
Críiticas vieram também da China, que tem o yuan atrelado ao dólar: "Enquanto o mundo não exercer restrição à emissão de moedas de reserva como o dólar – e isso não é fácil –, a ocorrência de outra crise é inevitável", escreveu Xia Bin, assessor do banco central da China.