A Câmara Municipal de Viseu e a Associação Empresarial da Região Viseu receberam uma comitiva liderada pelo embaixador de Israel com o objetivo de analisar possíveis investimentos no concelho. O Bloco de Esquerda/Viseu criticou a postura do Presidente da Câmara Municipal, Fernando Ruas, por querer fazer negócios com quem “a toda a hora procede a uma limpeza étnica em Gaza”.
“O outro lado da propaganda pré-autárquicas da cidade feliz é o horror daqueles que o poder do dinheiro e das armas quer, pela violência genocida, arredar da humanidade”, lê-se no comunicado do Bloco de Esquerda/Viseu. “Se Gaza fica do outro lado do mundo, isso não quer dizer que não seja o cemitério do direito internacional ou a expressão concreta do enxovalhar reiterado da ONU”.
A estrutura local do partido diz que “Fernando Ruas consegue ainda descer mais fundo” ao “assumir que os investimentos em causa são na área da defesa”. O Presidente da Câmara Municipal de Viseu disse que “começa a haver interesse em sectores da economia que são menos tradicionais”, referindo-se à indústria do armamento.
O Bloco/Viseu denuncia a postura de Fernando Ruas que “não apenas assume não ter qualquer problema em colocar os negócios, o dinheiro, à frente da ética, dos valores humanos, como se vangloria em promover a cidade para a indústria da guerra”.
“O Bloco de Esquerda não compactua com um Estado genocida como Israel, nem coloca a política dos negócios à frente de uma política assente no valor da dignidade humana, e enfrentará determinantemente os interesses da indústria da guerra em nome da defesa do Estado social e contra a barbárie que tem em Gaza a sua mais infame referência”, diz o partido.
Esta terça-feira, Israel ameaçou anexar partes da Cisjordânia se o Estado da Palestina for reconhecido. Ao mesmo tempo, milhares de israelitas juntaram-se numa marcha violenta no quarteirão muçulmano de Jerusalém. O New York Times dá conta de mais uma criança de 14 anos assassinada pelas Forças de Defesa Israelitas.