Reconhecendo que as próximas eleições legislativas, marcadas para 5 de Junho, decorrem “num contexto político difícil para o país e para a vida de cidadãs e cidadãos”, a associação realiza esta sexta-feira “uma rota” durante todo o dia, reunindo com todo os partidos com assento parlamentar, disse à Lusa Manuela Tavares. As deputadas Mariana Aiveca e Rita Calvário receberam a delegação da organização feminista na sede nacional do Bloco, em Lisboa.
Os contactos com os partidos têm como objectivo entregar “uma carta subscrita por mulheres de diversas sensibilidades políticas, que consideram as questões da igualdade e dos direitos das mulheres como assuntos que não podem passar à margem da campanha eleitoral”, explicou Manuela Tavares, da direcção da UMAR. Até porque, sublinha a organização, “as mulheres são as mais afectadas por precariedade, desemprego, diferenças salariais, baixas pensões e cortes nos serviços públicos”.
Manuela Tavares afirma que é necessário “um sério compromisso dos partidos, na governação e no trabalho parlamentar, já que muita coisa pode andar para trás, muitos direitos podem recuar”.
Na carta, a UMAR recorre a vários números para justificar a sua argumentação: “em cada 100 desempregados/as, 52 são mulheres”; “a pensão de velhice das mulheres corresponde, em média, a 59 por cento da dos homens”; as mulheres portuguesas trabalham “em média mais quatro horas por dia do que os homens”. Ler Carta aos Partidos Políticos.
As mulheres “vão ser e já são as mais afectadas pela crise, não só em termos de precariedade, desigualdades salariais, desemprego, mas também numa certa mentalidade que pode tender para o regresso forçado a casa”, reforçando “uma cultura discriminatória e sexista”, alerta Manuela Tavares.
“As soluções para os problemas do país têm que passar também pelas mulheres, aproveitando as suas capacidades a todos os níveis”, reclama a UMAR, na carta que será entregue aos partidos.
Bloco propõe Juízos Especializados sobre Violência Doméstica
Na reunião com as deputadas bloquistas falou-se sobre os problemas que afectam as mulheres e sobre as propostas e acção do Bloco no parlamento. Para lá da aprovação da proposta da paridade – o Bloco foi o primeiro partido a apresentá-la -, as activistas e as deputadas trocaram impressões também sobre os episódios de discriminação salarial em empresas publicas, sobre as quais o Bloco interpelou o Governo, e sobre os números preocupantes relativos a situações de violência doméstica, que revelam sobretudo um aumento da violência de género, já que as mulheres estão em absoluta maioria entre as vítimas, incluindo as mortais.
Sobre este assunto, as deputadas apresentaram uma das propostas concretas que o Bloco inclui no seu programa eleitoral – a criação de juízos especializados sobre violência doméstica. Ver vídeo da acção de apresentação da proposta no Porto.
As recentes declarações do líder do PSD, Passos Coelho, a favor de uma reavaliação da lei do aborto, dizendo que esta “vai longe demais” e deixando a porta aberta para um novo referendo, foram também comentadas e criticadas tanto pelas feministas como pelas deputadas Mariana Aiveca e Rita Calvário.