Bloco responde à “urgência que se vive no país”

12 de março 2013 - 17:04

Segundo o líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, o país precisa de “uma resposta que liberte as contas públicas do garrote da dívida para investir na economia, que liberte as pessoas da chantagem da dívida para lhes devolver o seu futuro, uma resposta que traga Portugal para aquilo que deve ser um projeto comum de solidariedade e não um projecto de austeridade como aquele que o governo nos impõe”.

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Referindo-se às reuniões que estão a ter lugar entre a troika e o governo português, o líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda afirmou que “o país está em suspenso à espera que desse conclave possa sair fumo branco”, sublinhando que, no entanto, já “todos percebemos que o que sairá é algo do mesmo: a política de austeridade que tem destruído o país”.

“Aqueles que teimam em não olhar para o essencial, que é o peso da dívida pública, e, portanto, em cortar no país sem cortar na dívida, colocam-se ao lado daqueles que especularam sobre a dívida e contra o país”, adiantou o dirigente bloquista.

“Quando o governo disser que conseguiu mais tempo para o défice e para os juros vai dizer também que vai existir mais austeridade e mais cortes naquilo que é essencial para a vida das pessoas”, avançou ainda Pedro Filipe Soares.

O deputado do Bloco de Esquerda fez referência às declarações de Martin Schulz, que afirmou que a Europa salvou os bancos mas falhou em salvar as pessoas, salientando que, “em Portugal, insiste-se em salvar os bancos e o sistema financeiro e, com o garrote da dívida, insiste-se em condenar as pessoas”.

“Quem salva os bancos condena as pessoas à austeridade e é por isso que, neste momento, neste que é o debate essencial para a nossa sociedade, o Bloco termina as suas Jornadas Parlamentares com a única proposta sensata para resolver o problema da dívida pública: renegociar a dívida nos seus juros e nos seus valores”, afirmou o líder da bancada parlamentar, lembrando que “a austeridade levou a dívida para valores incomportáveis: 120% daquela que é a riqueza que nós produzimos num ano”.

O Bloco defende, segundo clarificou Pedro Filipe Soares, uma “renegociação que defenda as pessoas e proteja a economia”. “Nada mais nada menos do que aquilo que, no passado, já provou estar certo, por exemplo naqueles que agora se opõem a uma política que defenda as pessoas”, afirmou o deputado do Bloco de Esquerda referindo-se à Alemanha, onde, no pós guerra, o pagamento da dívida foi indexado ao crescimento da economia e das exportações.

“Quem reclama o pagamento de uma dívida tem de reconhecer que um país destruído não pode pagar a dívida. Só um país que cresce, que dá futuro às suas pessoas, é capaz de assumir os seus compromissos”, defendeu o dirigente bloquista.

“A responsabilidade do Bloco de Esquerda”, avançou, “não é apenas de exigir novas políticas, mas também de assumir novas soluções” e a resposta “que se exige é aquela que coloca as pessoas no centro”.

Conforme adiantou Pedro Filipe Soares, em causa está “uma resposta que liberte as contas públicas do garrote da dívida para investir na economia, que liberte as pessoas da chantagem da dívida para lhes devolver o seu futuro, uma resposta que traga Portugal para aquilo que deve ser um projecto comum de solidariedade e não um projecto de austeridade como aquele que o governo nos impõe”.

“Queremos da Europa a solidariedade com que ela foi construída e queremos o respeito pela democracia em Portugal”, rematou o líder do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda.