Parlamento

Bloco recomenda adoção de definição de antissemitismo da Declaração de Jerusalém

11 de março 2025 - 17:42

O Parlamento debate esta semana resoluções sobre o combate ao antissemitismo. A definição defendida pela Estratégia Europeia tem sido alvo de críticas por abrir a porta à criminalização das críticas ao Governo de Israel.

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Sala do plenário da Assemboela da República
Sala do plenário da Assemboela da República. Foto Ana Mendes.

Serão pelo menos três projetos de resolução em debate na especialidade na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias esta quarta-feira. Além dos já conhecidos projetos do PS e do Chega, também o Bloco de Esquerda apresentou a sua própria iniciativa.

Nesse projeto de resolução, o Bloco de Esquerda acompanha as medidas propostas pela Estratégia Europeia para combater o antissemitismo, mas junta-se às críticas quanto à adoção da definição de antissemitismo promovida pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), que muitas associações e coletivos judaicos, como em Portugal os Judeus pela Paz e Justiça, afirmam que tem servido “não para proteger os judeus do antissemitismo, mas para proteger o Estado de Israel das críticas”.

Assim, o Bloco defende que a estratégia em Portugal deve seguir a definição da Declaração de Jerusalém, que afirma que “o antissemitismo é a discriminação, o preconceito, a hostilidade ou a violência contra os judeus enquanto judeus (ou contra as instituições judaicas enquanto instituições judaicas).”

“Ao contrário da definição da IHRA, a Declaração de Jerusalém sobre o Antissemitismo defende uma abordagem mais precisa e equilibrada e é clara ao defender que críticas legítimas às políticas do Estado de Israel não podem ser confundidas com antissemitismo, desde que não envolvam estigmatização de todos os judeus ou o uso de estereótipos antissemitas”, afirma o Bloco de Esquerda na sua proposta.

A Declaração de Jerusalém afirma que não é antissemita “criticar ou opor-se ao sionismo como forma de nacionalismo”, ou “apoiar acordos que concedam plena igualdade a todos os habitantes 'entre o rio e o mar', seja em dois estados, um estado binacional, um estado democrático unitário, um estado federal ou em qualquer forma”, como também não é antissemita criticar “a conduta de Israel na Cisjordânia e em Gaza, o papel que Israel desempenha na região, ou qualquer outra forma pela qual, enquanto Estado, influencia os acontecimentos no mundo”, ou não é antissemita apontar a sua discriminação racial sistemática contra os palestinianos.

As propostas do Chega e do PS foram criticadas pelos Judeus Pela Paz e Justiça. A primeira por ser “uma cortina de fumo para uma agenda xenófoba e racista” e a segunda por aceitar a definição operacional do anti-semitismo da IHRA. O grupo parlamentar socialista alterou entretanto a sua proposta, acrescentando um ponto a defender a adoção de uma definição de antissemitismo “que permita orientar de forma consensual, e sem criação de fraturas desnecessárias, as políticas públicas sobre a matéria, após debate alargado que reflita a complexidade do tema, com envolvimento da academia, das comunidades e da sociedade civil”.

Na proposta do Bloco de Esquerda, é ainda recomendado ao Governo um conjunto de medidas de promoção de combate ao antissemitismo, como o ensino sobre a história do Holocausto e o antissemitismo nas escolas, o apoio a iniciativas de preservação da memória do Holocausto e das contribuições das comunidades judaicas para a cultura de diversos países, através de museus, centros de memória e projetos de investigação, o reforço dos meios de fiscalização e monitorização do discurso de ódio e desinformação, a promoção da inclusão das comunidades judaicas, o fortalecimento da cooperação internacional e o combate a qualquer forma de antissemitismo que possa existir    nas instituições públicas.

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