Bloco quer ver diplomas do negócio milionário das barragens da EDP

05 de janeiro 2021 - 23:42

Seis centrais hidroelétricas foram vendidas sem que se cobrassem impostos de um negócio avaliado em 2.200 milhões de euros. Receita fiscal seria destinada à região onde se inserem. Artigo do Interior do Avesso

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Barragem da Bemposta – Foto de Vitor Oliveira/wikipedia
Barragem da Bemposta – Foto de Vitor Oliveira/wikipedia

A Assembleia da República aprovou recentemente uma alteração ao orçamento de estado que garantia a criação de um fundo resultante do trespasse da concessão de seis barragens da EDP ao grupo francês Engie.

O diploma determina que as receitas fiscais do negócio avaliado em 2.200 milhões de euros entre empresas privadas que exploram os recursos naturais da Terra de Miranda e dos municípios onde se inserem as centrais hidroelétricas de Miranda do Douro, Bemposta, Picote, Baixo Sabor, Feiticeiro e Foz Tua, devem destinar-se ao desenvolvimento da região.

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No entanto, as notícias vindas a público contrariam esta norma, revelando que não terá havido lugar a cobrança de impostos. Neste seguimento, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda endereçou um requerimento para ter acesso ao contrato e ao despacho do governo, dizendo que é “importante conhecer o conteúdo do contrato, autorizado pelo Governo, entre a EDP e o grupo Engie, sobre o trespasse da concessão das barragens de Miranda do Douro, Picote, Bemposta, Baixo Sabor, Feiticeiro e Tua”.

Requerimento do Bloco: Trespasse da concessão das barragens de Miranda do Douro, Picote, Bemposta, Baixo Sabor, Feiticeiro e Tua

Para o Bloco, “ainda hoje persistem na região pedreiras, escombreiras e infraestruturas abandonadas que outrora serviram para a construção das centrais e que hoje continuam a degradar os valores ambientais e paisagísticos da região”.

Concluem que “a população da Terra de Miranda, e dos municípios onde se inserem as barragens, não podem continuar a arcar com todo o passivo ambiental e prejuízos por ele gerados, enquanto as receitas fiscais e os benefícios económicos são retirados da região e apropriados por empresas privadas”.

Artigo publicado em Interior do Avesso