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Bloco quer regresso de baixa paga a 100% e testes gratuitos

Em declarações à comunicação social, no final de uma reunião no Infarmed, Moisés Ferreira defendeu o regresso da baixa paga a 100% e dos testes gratuitos. O bloquista apelou também a que o Ministro da Saúde deixe de estar “em negação” relativamente às dificuldades do SNS. 
Moisés Ferreira defendeu regresso da baixa paga na íntegra e testes gratuitos. Fotografia: Ana Mendes

Decorreu esta sexta-feira, no Infarmed, uma reunião com o objetivo de avaliar a situação epidemiológica da Covid-19. No final deste encontro, em declarações à comunicação social, Moisés Ferreira afirmou que “é importante que quem está doente seja por Covid-19 seja por outras infeções respiratórias” possa “ter acesso a testes gratuitos e a baixa a 100%” o que “já não existe desde o dia 1 de outubro”.

“É muito importante que as pessoas quando se sentem doentes se reservem e fiquem em casa mas isso só é possível se essas pessoas souberem que ficam em casa e vão continuar a ter rendimento. Se não tiverem rendimento não vão ficar em casa. Era preciso uma baixa a 100%, passada de forma automática, que não penalize os três primeiros dias de ausência ao trabalho. É preciso repor essas condições para que as pessoas se possam resguardar” afirmou o dirigente bloquista.

 

Moisés Ferreira destacou também dois aspetos importantes para o país e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Por um lado, apelou a que “o Ministro da Saúde deixe de estar em negação relativamente à situação difícil que os hospitais do SNS estão a passar. Temos tido notícias de esperas de dez, quinze, vinte horas nas urgências de hospitais centrais e vemos ao mesmo tempo o Ministro da Saúde a dizer que não se passa nada e que está tudo normal, o que não é verdade. Deixar de estar em estado de negação seria um bom primeiro passo para acautelar a situação”, vincou.

Por outro lado, Moisés Ferreira exortou também o Ministro da Saúde a abandonar “o que tem vindo a dizer sobre o Orçamento de Estado para 2023. O Ministro diz que 2,29% de aumento para profissionais é suficiente o que não é verdade. Era bom que abandonasse esta ideia que é uma miragem. É preciso mais investimento em profissionais, reforçar a dotação para a contratação de mais profissionais para o SNS e não achar que se vai gastar menos dinheiro em 2023 do que em 2022” até porque neste momento “estamos numa situação em que se conjuga aumento da Covid-19, aumento da atividade gripal e aumento de outras infeções respiratórias respiratórias”.

“Se se mantiver por parte do governo o estado de negação em relação ao estado do SNS, o que se pode antever é uma deterioração do SNS e por isso dizemos que um bom primeiro passo é deixar o estado de negação” afirmou o bloquista.

 

Combater as desigualdades

 

Um outro passo importante é “ouvir o que alguns especialistas disseram hoje nesta reunião sobre a necessidade de dar atenção às desigualdades” referiu o dirigente político, acrescentando que as “desigualdades sociais e pobreza são das principais determinantes sociais da doença e a verdade é que nos últimos tempos tem havido um agravamento da desigualdade social em Portugal e isso pode levar a um aumento da doença e a uma vulnerabilidade da população em geral em relação à Covid-19 e a outras doenças”.

O bloquista apresentou dois exemplos elucidativos deste combate às desigualdades, destacando a “dificuldade crescente que a população tem em aquecer as casas” o que constitui uma situação de “vulnerabilidade e desigualdade social que pode ter um impacto muito negativo na progressão da Covid-19 e de outras doenças em Portugal”. Como forma de ultrapassar esta situação, “era importante que se procedesse a uma fixação de preços para que a energia não continue a subir e não se torne cada vez mais inacessível.”

O outro exemplo apresentado remete para a habitação. “A especulação imobiliária em torno do preço da habitação tem feito com que cada vez mais famílias tenham dificuldade em ter uma casa digna” o que “vulnerabiliza as famílias e coloca-as em situação de maior risco de doença, para a Covid-19 e para outras doenças” pelo que é urgente “atuar sobre as desigualdades e garantir habitação digna para todas as pessoas”, concluiu.

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