Bloco propõe reconhecimento do Estado da Palestina e sanções a Israel para travar genocídio

19 de dezembro 2023 - 16:41

Joana Mortágua frisou que estes são “os gestos de derradeira humanidade que o Bloco de Esquerda propõe nesta Assembleia. Porque uma Palestina livre e o fim do projeto colonial israelita, isso sim, é o caminho da paz”.

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Foto de Carlos M Almeida, Lusa.

Durante a sua intervenção no plenário da Assembleia da República, a deputada bloquista afirmou que “todos os horrores que possamos nomear estão a acontecer em Gaza”, e que “nesta enorme prisão a céu aberto chamada Gaza há mais de 2 milhões de pessoas a serem eliminadas por todos os meios”.

“Há uma palavra para isso: genocídio”, vincou Joana Mortágua.

A dirigente do Bloco assinalou que “a questão é se queremos fazer parte de um mundo sentado, um mundo que assiste, ou no máximo lamenta, um genocídio transmitido em direto” ou se “queremos ser um mundo que se levanta para calar as armas, fazer a paz e trazer a justiça”.

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19 de dezembro 2023

“Até agora, e vergonhosamente, tem imperado a posição dos que assistem,. Honrosas exceções devem ser reconhecidas. António Guterres, tem sido incansável nos apelos a um cessar-fogo e na denúncia de crimes de guerra”, lembrou Joana Mortágua.

A deputada defendeu que “Portugal e a União Europeia não podem continuar a olhar para o outro lado” e que “fazer o que estiver ao nosso alcance para travar o massacre indiscriminado de homens, mulheres e crianças é um imperativo de quem não abandona posições pela paz e pelo bem”. Portugal “não pode ficar do lado da carnificina”, continuou.

Nesse sentido, o Bloco propõe “dois derradeiros gestos de humanidade”.

“Primeiro é preciso fazer tudo por um cessar fogo. Perante o projeto do governo israelita de destruição total de Gaza, de extermínio de quem ali vive, é preciso que a comunidade internacional obrigue Israel a parar com a violência, tanto na Faixa de Gaza como nos territórios palestinianos ocupados”, explicou Joana Mortágua.

Para isso, “além da condenação inequívoca das ações de Israel contra a Palestina, além da defesa do direito internacional e humanitário, além de se dever levar os responsáveis políticos e militares israelitas ao Tribunal Penal Internacional, é preciso avançar para a aplicação de sanções e boicote a Israel”.

Nesse sentido, os bloquistas defendem e propõem “a elaboração de sanções a Israel enquanto persistir numa política de punição coletiva, de expansão colonialista e de limpeza étnica”. O Estado português, concretamente, “deve recusar qualquer colaboração militar ou logística em operações que envolvam as Forças de Defesa Israelitas”. Por outro lado, “as empresas israelitas ligadas à indústria do armamento, que financiem as atividades do governo e do exército ou que sejam cúmplices da ocupação dos territórios palestinianos, devem ser alvo de boicote nacional e internacional. Israel deve ser alvo de sanções políticas e económicas.”

“Não exigimos menos do que a pressão internacional que vergou o regime de apartheid da África do Sul”, disse Joana Mortágua.

A dirigente do Bloco alertou, no entanto, que “travar o genocídio é apenas o primeiro passo, é preciso construir a paz”. “São 139 os países representados na Assembleia Geral da ONU que já reconhecem o Estado da Palestina. Portugal não é um deles. Continua, a medo, a sustentar uma posição hipócrita, de quem diz defender a solução de dois Estados, mas depois não reconhece o Estado da Palestina. Uma posição subserviente, dependente, que acabará por ser ultrapassada, se não atropelada, pela realidade”, lamentou.

Nesse sentido, reconhecer o Estado da Palestina e aplicar sanções a Israel para travar um genocídio, são “os gestos de derradeira humanidade” que o Bloco propõe na Assembleia da República.

“Porque uma Palestina livre e o fim do projeto colonial israelita, isso sim, é o caminho da paz”, rematou Joana Mortágua.