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Bloco propõe acordo “que dê garantias de estabilidade ao país de recuperação dos seus rendimentos”

No final da reunião com os dirigentes do PS, Catarina Martins sublinhou que a proposta do Bloco pretende abrir caminho “para um entendimento que possa ser plasmado no programa do governo”.
Reunião desta quarta-feira na sede do Bloco de Esquerda. Foto esquerda.net

Catarina Martins e António Costa encontraram-se ao fim da tarde de quarta-feira na sede do Bloco para darem início ao diálogo que possa conduzir à negociação do programa do próximo governo. O líder do PS esteve acompanhado por Ana Catarina Mendes, Carlos César e Duarte Cordeiro, enquanto na delegação anfitriã estiveram Mariana Mortágua, Pedro Filipe Soares e Jorge Costa ao lado da coordenadora bloquista

No final do encontro, Catarina disse aos jornalistas ter entregue uma proposta “de um caminho para um entendimento que possa ser plasmado no programa do governo, que garanta estabilidade à vida das pessoas e que reforce uma solução política de horizonte de legislatura”.

Quanto às medidas constantes nessas propostas, que já foram formuladas na noite eleitoral de domingo, Catarina enunciou “a recuperação de rendimentos e direitos com o fim das medidas da troika que ainda estão na legislação laboral, o reforço dos serviços públicos, e nomeadamente o SNS e o fim da promiscuidade entre público e privado, o investimento na habitação, transportes e na resposta à emergência climática”.

Para a coordenadora bloquista, tratou-se de “uma reunião importante e muito franca”. Agora, “o PS analisará a proposta que o Bloco fez”. Em todo o caso, lembrou Catarina, “repetimos também a disponibilidade do Bloco, caso este entendimento inicial não seja possível, para negociar legislação e Orçamentos do Estado ao longo destes quatro anos”.

No entanto, sublinhou a coordenadora do Bloco, a prioridade é “aprofundar o caminho que foi feito” nos últimos quatro anos, através de um “acordo que dê garantias de estabilidade ao país de recuperação dos seus rendimentos”.

“A estabilidade dos últimos quatro anos foi conseguida porque houve estabilidade na vida das pessoas. Porque as pessoas sabiam que podiam contar com a sua pensão, com o seu salário”, reforçou a coordenadora do Bloco.

Questionada pelos jornalistas sobre a diferença na resposta política à situação pós-eleitoral em relação ao PCP, Catarina respondeu que “valorizamos muito a convergência com o PCP e somos também partidos autónomos que têm de assumir as suas responsabilidades”.

António Costa diz que “é prematuro” falar em documentos escritos

Para o líder do PS, esta era a última reunião do dia com outros partidos. Por isso, António Costa aproveitou para fazer um balanço desta ronda de negociações, destacando que “em todos encontrámos graus de disponibilidade para trabalharmos, uns à partida para quatro anos, outros passo a passo”.

Sobre a reunião com o Bloco, “é essencial ter ficado claro que no horizonte da legislatura há vontade comum de trabalhar em conjunto e dar continuidade àquilo que foi a experiência desenvolvida na legislatura anterior”, declarou António Costa acrescentando que ambos os partidos sabem “quais os pontos de total convergência, os pontos de total divergência e também quais são os pontos que podem ser trabalhados”.

Quanto aos termos concretos de eventuais acordos, “se será com documento escrito ou não será com documento escrito, neste momento é prematuro dizer”, prosseguiu o líder socialista, dizendo-se “agnóstico em matéria de forma” e remetendo o desenvolvimento desta reunião para “trabalhos mais técnicos” sobre os temas identificados. “Para a semana faremos uma avaliação”, concluiu.

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