Bloco pede audição do presidente do Instituto Português do Sangue

10 de fevereiro 2012 - 15:39

Diminuição abrupta de reservas de sangue em Portugal leva Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda a requerer a vinda do presidente do IPS à Comissão de Saúde para que este esclareça o que esteve na origem desta quebra e para que se discutam as medidas a implementar.

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Recolha de sangue - Foto da Lusa (arquivo).

O Bloco entregou, esta sexta-feira, um requerimento onde solicita, com caráter de urgência, a audição de Hélder Trindade, presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), pela Comissão Parlamentar de Saúde, “com a finalidade de debater a situação atual das reservas de sangue e as razões para a sua quebra acentuada, bem como as medidas necessárias”.

O anúncio feito pelo presidente do IPST e pelo secretário de Estado da Saúde, que alertaram para a iminência da rutura do stock do sangue, que poderá ocorrer, para os grupos sanguíneos A e O negativo, nos próximos 2 ou 3 dias, e para os restantes grupos nos próximos dez dias, foi recebido pelo Bloco de Esquerda com muita estranheza.

O deputado bloquista João Semedo, estranha, por um lado, as razões invocadas por estes responsáveis para justificar este fenómeno, e que se prendem com o impacto de uma notícia veiculada recentemente sobre um suposto desperdício de plasma em Portugal, que teria levado à diminuição do número de recolhas.

Esta será, para o dirigente do Bloco, uma “desculpa sem qualquer sentido”. “O problema de fundo é a redução dos orçamentos do IPST que deixaram as equipas de recolha fortemente limitadas por razões orçamentais”, adianta João Semedo, ao que acresce o “desincentivo da perda de isenção de taxa moderadora” para os dadores.

Por outro lado, o deputado manifesta o seu “espanto” pelo facto de o governo alertar para uma situação pela qual é responsável, sem que depois divulgue as medidas que irão ser implementadas para resolver esta situação.

Para o Bloco, é imperativo investir na intensificação das recolhas, com o aumento do número de postos e equipas para a recolha de sangue.

Hospital de São João poderá ter que adiar cirurgias por falta de sangue

O diretor do Serviço de Imunohemoterapia do Hospital de S. João, no Porto, afirmou esta sexta-feira que “se esta redução de oferta dos dadores se mantiver é presumível que, dentro de algum tempo”, o hospital tenha que “adiar cirurgias por falta de sangue”.

Segundo Fernando Araújo esta será “uma das primeira consequências da falta de sangue”.

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