A ministra da Saúde anunciou na terça-feira aos deputados que a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, vai encerrar, no âmbito da entrada em funcionamento em março da nova urgência regional para a Península de Setúbal.
A urgência que Ana Paula Martins quer encerrar abrange os concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete e a distrital de Setúbal do Bloco de Esquerda diz que essa decisão representa um ataque direto ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e às populações da região, agravando as carências já existentes.
Urgências regionais
Médicos acusam Governo de comprometer cuidados de proximidade
O Bloco de Esquerda denuncia este encerramento “não como uma inevitabilidade, mas como o resultado de uma opção política deliberada de depauperamento e desinvestimento no SNS”. E considera que ao encerrar este serviço essencial num equipamento hospitalar de excelência no concelho do Barreiro, “o Governo obriga ao encaminhamento de utentes e grávidas para outras unidades, sobrecarregando ainda mais o Hospital Garcia de Orta, que já enfrenta graves problemas de falta de meios, de profissionais e de sobrelotação”.
Perante os “riscos injustificáveis e transtornos graves que não podem ser menorizados” desta decisão da ministra, o Bloco de Esquerda exige que o Governo e as entidades competentes “revertam esta decisão de imediato”, evitando assim pôr em causa a segurança e o acompanhamento das mulheres grávidas e dos recém-nascidos, “submetendo-os a deslocações forçadas e a tempos de espera incomportáveis”.
Utentes contestam encerramento
A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro também veio a público contestar a decisão do Governo, afirmando que esta é uma escolha política que “ignora as reais necessidades das populações e fragiliza o Serviço Nacional de Saúde”.
"A maternidade do Barreiro é uma referência e um serviço essencial. A população não está disposta a perder mais um direito conquistado", frisa a comissão, citada pela agência Lusa.
A comissão critica ainda o Governo por “em vez de reforçar meios humanos e técnicos”, optar por concentrar serviços, “afastando cuidados de proximidade e contribuindo para o enfraquecimento do Hospital do Barreiro”.