Bloco exige libertação imediata do eurodeputado e dos activistas humanitários detidos em Israel

09 de novembro 2011 - 12:52

Marisa Matias e Miguel Portas em carta ao Embaixador de Israel em Lisboa exigem a "libertação imediata destas pessoas da prisão de Givon e que possam continuar a sua viagem até Gaza".

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Marisa Matias e Miguel Portas exigem a libertação imediata do eurodeputado Paul Murphy e dos 20 activistas presos em Israel

Na carta ao Embaixador de Israel em Lisboa, os eurodeputados do Bloco de Esquerda mostram a sua "profunda indignação e repúdio perante as acções do Estado e Exército Israelita contra os activistas a bordo das embarcações MV Saoirse e Tahrir".

Desde sexta-feira que o eurodeputado Paul Murphy (Irlanda, GUE/NGL) e 20 activistas estão aprisionados em Israel após terem sido detidos ao tentarem fazer chegar ajuda humanitária às populações de Gaza.

Nesta quarta feira, realizou-se uma concentração em frente à embaixada de Israel em Bruxelas, para exigir a libertação dos activistas. A embaixada israelita recusou-se receber os eurodeputados presentes, que deixaram uma carta ao embaixador exigindo a libertação.

Texto da carta dos eurodeputados:

Venho, por este meio, manifestar a minha profunda indignação e repudio perante as acções do Estado e Exército Israelita contra os activistas a bordo das embarcações MV Saoirse e Tahrir.

Estas embarcações tinham como carga ajuda humanitária para as pessoas de Gaza e foram abordadas em águas internacionais pelas Forças militares do Estado Israelita. Este acto, no âmbito do direito internacional, é um acto de pirataria. Mais, aquando da abordagem das embarcações, o nível desproporcionado de violência, usado contra um grupo de pessoas desarmadas, foi francamente perturbador e quase conduziu ao naufrágio da embarcação. O navio, bem como a carga que este transportava, sofreram graves danos e prejuízos, na sequência da violenta abordagem pelas Forças militares israelitas.

As pessoas que estavam na embarcação foram conduzidas contra a sua vontade ao porto Israelita de Ashdod. Foram a acusadas de ter "entrado ilegalmente em território Israelita", isto apesar de nunca terem tido qualquer intenção de entrar em Israel.

Estas pessoas foram então detidas e transferidas para a prisão de Givon onde voltaram a ser vítimas de abusos e maus-tratos. Foram-lhes retirados todos os seus bens pessoais. Foi-lhes negado o direito de efectuar uma chamada telefónica. Pior, estas pessoas foram vítimas da privação de sono. Isto configura uma situação de violação dos Direitos fundamentais, constitui uma violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU e da Convenção de Genebra!

Venho pois solicitar-lhe que, enquanto Embaixador do Estado de Israel, promova junto das autoridades israelitas, o mais urgentemente possível, as diligências necessárias para a libertação imediata destas pessoas da prisão de Givon e que possam continuar a sua viagem até Gaza.

Reitero, que estas pessoas não "entraram ilegalmente no Estado de Israel", estas pessoas foram para aí conduzidas contra a sua vontade!

Cumpre, ainda, ao Estado de Israel a reparação integral e imediata não só destas duas embarcações mas também a reintegração da carga que estes navios transportavam quando foram ilegal e ilegitimamente abordados pelas autoridades israelitas em águas internacionais, por forma a que estas possam continuar a sua viagem e efectuar a entrega de ajuda humanitária as pessoas de Gaza.