Em declarações à Lusa, a deputada Catarina Martins do Bloco de Esquerda referiu que “a situação é gravíssima, espelhando o agravamento social” após a imposição de medidas de austeridade, designadamente cortes no abono de família, no Rendimento Social de Inserção e no subsídio de desemprego.
A situação no Porto ainda “é mais penalizadora”, salienta a deputada, porque “a Câmara do Porto aumentou as rendas e começaram a cortar a água e a cobrar dívidas (de água) que já estavam prescritas” aos moradores dos bairros.
Segundo Catarina Martins, em Aldoar há famílias com muitas dificuldades mas que conseguiam “equilibrar as contas”, mas agora “estão sem possibilidade de reagir, sem água e luz, existindo crianças que apenas comem um iogurte e um pão, bem como outras que vão tomar banho a casa de um vizinho”. A deputada sublinha que “70 por cento das famílias que vivem em habitação social têm um rendimento per capita inferior ao salário mínimo nacional”, bem como “30 por cento são pensionistas e mais de 20 por cento estão desempregados”.
O Bloco do Porto, em comunicado de imprensa, considera inaceitável que “Governo e Câmara do Porto tratem os moradores das habitações municipais como gente de segunda”, exige "apoios de emergência por parte do município do Porto para fazer face à gravíssima situação social que se vive nos bairros” e anunciou que os seus deputados municipais vão levantar a questão na próxima sessão da Assembleia Municipal.