Bloco contra reversão de corte nos salários dos políticos

03 de novembro 2022 - 18:23

Pedro Filipe Soares afirma que “a prioridade é responder à valorização geral do trabalho”. E lembra que “o salário médio dos portugueses está muito abaixo do que ganham os políticos” e que a proposta do Orçamento mantém o “empobrecimento generalizado da população”.

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Pedro Filipe Soares. Foto de Ana Mendes.
Pedro Filipe Soares. Foto de Ana Mendes.

A Associação Nacional de Municípios propôs, no seu parecer sobre o Orçamento do Estado para 2023, a reposição do salário integral dos autarcas. Estes, tal como o salário dos deputados, membros do Governo e Presidente da República tinha sido cortado em 5% pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas na altura da intervenção da troika em Portugal. A associação de autarcas considera a manutenção do corte “incompreensível e injusto”.

Logo a seguir, Jorge Veloso, dirigente da Anafre (a Associação Nacional de Freguesias), interveio no mesmo sentido, insistindo que a sua proposta já vinha do ano passado.

Sobre este tema, Pedro Filipe Soares esclareceu que o Bloco não vai apresentar nenhuma proposta para acabar com o corte no salário dos políticos, lembrando que a proposta do Orçamento do Estado para 2023 não realiza o aumento de salários e pensões que seria “essencial para combater o empobrecimento”.

Em declarações ao Expresso, o líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda defende que não é altura de centrar a “prioridade nos rendimentos dos políticos”, numa altura em que se assiste ao “empobrecimento generalizado da população” e em que o Orçamento do Estado não dá resposta aos trabalhadores da Função Pública e o acordo do Governo com a UGT e os patrões não não o faz para os trabalhadores do privado.

Assim, “pedir a reversão do corte é extemporâneo, num momento em que a prioridade é responder à valorização geral do trabalho”. Até porque “o salário médio dos portugueses está muito abaixo do que ganham os políticos”.