A campanha para as eleições regionais da Madeira começou este domingo. No almoço que deu o pontapé de saída, o cabeça de lista do Bloco de Esquerda, Roberto Almada, responsabilizou o PSD Madeira pelas eleições antecipadas, lembrando que metade dos membros do Governo Regional, incluindo o seu presidente, são arguidos por suspeita de práticas de corrupção. Considera-se assim que Miguel Albuquerque “tenta agarrar-se ao lugar o mais que pode para que efetivamente não possa ser julgado”.
Já o Bloco apresenta-se às eleições como uma força que “não tem se vergado ao Governo Regional” e “tem enfrentado com coragem os desmandos deste e dos governos que os antecederam”. O partido salienta o seu historial de denúncia das “ligações perigosas entre a política e os negócios”, dos grupos empresariais que “cresceram e enriqueceram à sombra do regime”. E volta a apresentar propostas como a criação de um regime de incompatibilidades semelhante ao do resto do país.
Roberto Almada promete bater-se por “transparência, respeito pelos madeirenses, melhoria das condições de vida dos madeirenses” e a resolução dos principais problemas de uma Região Autónoma em que “os ricos estão cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres”.
Um destes problemas é a habitação, com o preço das casas na Madeira a mais que duplicar nos últimos dez anos, denuncia. O Bloco defende tetos máximos para as rendas, limitação de novas licenças para o alojamento local e condicionar as novas licenças para construção de empreendimentos imobiliários à dedicação de 25% dessas mesmas habitações a preços acessíveis. Esta solução, assegura, “não é radical” e existe em países como a Inglaterra, o Canadá e “até mesmo dentro da União Europeia”.
A “pesada herança” do PSD Madeira e os “oligarcas do regime”
A coordenadora do Bloco Madeira e também ela candidata, Dina Letra, começou por destacar a “pesada herança” do PSD Madeira traduzida em seis mil milhões de euros de “dívida escondida”, “obras inventadas e de elefantes brancos”.
A dirigente regional do Bloco explica que esta dívida “acrescentou dificuldades à vida de toda a gente, roubou salário, fez crescer todos os impostos, empobreceu as famílias” e tudo isto enquanto o PSD Madeira “mantinha todos os privilégios à sua rede clientelar”, classificando os grupos económicos que governam a região como os “oligarcas do regime”.
Enquanto estes beneficiaram do “maior valor de sempre” no que diz respeito à riqueza produzida pelo trabalho dos madeirenses, sete mil milhões de euros, e os números do turismo e a receita fiscal “batem recortes todos os meses”, quem trabalha “está a ser empurrado para a pobreza”. Para Dina Letra, “não tem de ser assim, não pode continuar a ser assim” e o voto “é fundamental para a criação de uma Madeira mais justa”.
O poder absoluto “empobreceu a democracia e a maioria da população”
A mandatária da candidatura, Mónica Pestana, também tomou a palavra para sublinhar que a lista de candidatos do Bloco “é composta por homens e mulheres comprometidos com a sociedade madeirense e portossantense que conhecem muito bem os problemas e as dificuldades que passam as pessoas que cá vivem, estudam e trabalham”.
Também ela culpa o PSD pela “instabilidade política que se instalou na região” e considera que este, ao longo da sua governação, “usou e abusou de um poder absoluto que empobreceu a democracia e a maioria da população, enriquecendo um pequeno grupo de grandes empresários da hotelaria, das grandes superfícies comerciais, da banca, da construção civil, dos transportes e do imobiliário”.
O Bloco “não se cala e não se calará”
A seguir à mandatária, tomou a palavra o candidato Diogo Teixeira que falou nas questões dos jovens, nomeadamente o direito à habitação e as rendas caras, afirmando que “radical é ser posto na rua porque o alojamento local dá mais dinheiro”.
Sublinhou ainda o papel dos deputados regionais do Bloco no combate à corrupção e garantiu que o partido “não se cala e não se calará” sobre o tema. Esta candidatura quer “que quem cá nasceu e quem quer trabalhar na Madeira” tenha direito “a ter uma vida boa” e “é para isso que luta todos os dias”, uma energia e força que atravessará esta campanha.