Montenegro “perdeu a legitimidade sozinho”

09 de março 2025 - 16:23

No Funchal, Mariana Mortágua responsabilizou o primeiro-ministro por uma crise em que “a escolha é sua, a empresa é sua, os negócios são seus, os clientes são seus, as avenças são suas”. Sobre o PSD Madeira diz que “governa com as mãos dos interesses imobiliários”.

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Mariana Mortágua na Madeira este domingo.
Mariana Mortágua na Madeira este domingo. Foto de GREGÓRIO CUNHA/LUSA

No almoço que marca o início da campanha eleitoral do Bloco de Esquerda para as regionais da Madeira, Mariana Mortágua começou por falar da crise política nacional. Para ela, “já não temos Primeiro-Ministro” mas “um político a lutar pela sua sobrevivência” e “pelo poder político”.

A coordenadora bloquista considera que Luís Montenegro “perdeu a legitimidade sozinho” porque “a escolha é sua, a empresa é sua, os negócios são seus, os clientes são seus, as avenças são suas”, tendo sido ele a escolher não dar informação sobre quem são os clientes, quanto é que pagam e que serviços foram prestados. A moção de confiança é assim apresentada como “uma fuga para a frente”.

Quanto às razões que levam o Bloco a rejeitar esta moção de confiança, a primeira delas é a não confiança “confiamos num primeiro-ministro que quando vai para o seu lugar escolhe levar consigo as suas empresas, as suas avenças e os seus interesses” e “quando é confrontado com estes factos não quer explicar”.

A outra é porque o governo “olha para o país com os olhos de uma grande empresa” ou de um “negócio”. E quem assim olha vê o interesse na subida dos preços das casas, em mais vistos gold e benefícios para residentes não habituais e nómadas digitais, liberalizar a construção, nomeadamente de hotéis, em todo o lado independentemente das consequências ambientais.

PSD Madeira "governa com as mãos dos interesses imobiliários"

Mariana Mortágua considera portanto que “um governo tem de escolher se está ao lado do interesse imobiliário ou se está ao lado do povo porque os interesses não são os mesmos.” E isto aplica-se na perfeição ao PSD Madeira que “governa para os interesses imobiliários e contra o povo” e também “governa com as mãos dos interesses imobiliários”.

O Governo Regional laranja dá as grandes empresas, “sempre as mesmas”, o “dinheiro que é dos madeirenses, que é da região para se poder desenvolver”.

Desta forma, os madeirenses “pagam duas vezes”. Ou seja, “pagam o preço das casas que não podem comprar, que não podem alugar, e pagam o dinheiro da corrupção, saem diretamente para os bolsos das grandes empresas, quando o governo só governa para elas e não quer saber do povo e não quer saber da região”.