Cristina Semblano, economista, emigrada em França e cabeça de lista do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral da Europa apresentou em Lisboa o “Manifesto da Emigração”, em conjunto com Cecília Honório, responsável pelos assuntos de emigração no grupo parlamentar do Bloco.
Uma das propostas destacadas foi que sejam dadas facilidades ao envio das remessas (salários e reformas) dos emigrantes, que as taxas de juro dos seus empréstimos sejam bonificadas e que sejam isentados de impostos os rendimentos dos seus depósitos. Cristina Semblano recordou que os emigrantes dão um importante contributo económico a Portugal, bem superior ao das remessas que apenas registam uma parte das transferências das suas economias. “Mesmo assim, os números oficiais do Banco de Portugal dizem muito: 2,4 mil milhões de euros, só no ano passado.”
O Bloco de Esquerda tem propostas para travar a “expulsão de portugueses para o estrangeiro”, fenómeno que se tem vindo a acentuar nos últimos anos, mas que “forçosamente será agudizado ainda mais pelas políticas recessivas que resultam do programa da troika internacional, apadrinhado pela troika nacional entre PS, PSD e CDS”.
Cristina Semblano defendeu uma medida específica dirigida aos “novos emigrantes”, que continuam a pagar os seus empréstimos em Portugal com o trabalho no estrangeiro, e assim, de forma “inequívoca”, estão a contribuir para não piorar a situação do crédito mal parado em Portugal. “O crédito mal parado em Portugal seria muito maior se não fosse a contribuição dos novos emigrantes”, salientou a economista.
O manifesto apresentado salienta que “As politicas que têm vindo a ser seguidas em Portugal estão a expulsar do pais milhares de desempregados e jovens à procura de um primeiro emprego, forçados a vender a sua força de trabalho fora de Portugal a baixos custos e em condições de precariedade por vezes extremas. Se a corrente migratória tem sido sempre importante, ela deu lugar, nos últimos anos, a uma sangria equivalente à que Portugal registou na década de 60.”
Outras propostas são o reforço e a criação de estruturas ao nível dos consulados, vocacionadas para o acolhimento, informação, apoio e acompanhamento dos emigrantes; o reforço da política de ensino da língua portuguesa a todos os níveis, o que passa pela extensão dos acordos de integração da língua portuguesa no ensino oficial dos países de acolhimento, mas também pelo aumento dos professores de português contratados pelo governo português e a melhoria das suas condições de vida e de trabalho.