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Bloco acusa Medina de não querer fazer nada face ao aumento dos juros na prestação da casa

No final da reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins disse que "o atraso do Governo na resposta à inflação está a sair muito caro ao país" e acusou o ministro das Finanças de nada querer fazer para mitigar o efeito da subida das prestações no crédito à habitação.
Catarina Martins. Foto Ana Mendes,

A insuficiência das medidas apresentadas esta semana pelo Governo e a recusa do ministro das Finanças em adotar medidas para responder ao maior aumento dos juros deste século, decidido na quinta-feira pelo Banco Central Europeu, foram o centro da mensagem deixada por Catarina Martins após a reunião da Mesa Nacional do Bloco este sábado (Ler resolução política aprovada).
 
"O que Fernando Medina diz é que não vai fazer nada. O que nós dizemos é que o país não aguenta mais este assalto pela inflação, em que alguns grandes grupos monopolistas e oligopolistas estão a ficar com tanto da riqueza do país enquanto quem trabalha está no absoluto desespero para pagar as contas essenciais até ao final do mês", afirmou a coordenadora do Bloco.

Taxar lucros excessivos: Governo "não quer fazer até o que a Comissão Europeia diz que é necessário"

Na área da habitação, "Medina diz que não vai fazer nada face ao aumento dos juros" e o Governo decretou um teto de 2% no aumento das rendas que corresponde a "uma atualização das rendas cinco vezes superior à deste ano, num pais que já tem rendas tão altas". "Para quem paga prestação da casa, o Governo diz que não fará nada", resumiu.

Para Catarina Martins, o Governo "não quer fazer até o que a Comissão Europeia diz que é necessário: ir buscar os lucros excessivos das energéticas para financiar programas que apoiem os setores mais fragilizados pea inflação".

"O que o Governo diz é que vai ficar parado enquanto vê a Galp a fazer uma distribuição extraordinária de dividendos e o dinheiro que saiu dos bolsos de quem trabalha ir para um qualquer offshore dos acionistas", insistiu a coordenadora bloquista, lembrando que Portugal é dos países da OCDE em que a inflação mais retirou poder de compra a quem vive do seu trabalho, o equivalente a um salário por ano.

O atraso do Governo na resposta à inflação "está a sair muito caro ao país" e as medidas anunciadas esta semana estão longe de serem suficientes: o apoio de 125 euros "não chega para cobrir o salário inteiro que as pessoas já perderam este ano", as medidas para a energia "representam poupança de 1 euro na fatura da eletricidade" e no gás mantém-se o IVA máximo e "não há resposta a tantas famílias que dependem do gás de botija".

"Este assalto tem de ser travado"

Quanto aos pensionistas, Catarina lembrou a garantia dada pelo primeiro-ministro antes do verão de que "podiam estar descansados pois iriam ter o maior aumento das pensões porque a fórumula se ia aplicar integralmente". Agora, António Costa "deitou para o caixote do lixo esta fórmula" que lhes repunha o poder de compra face à inflação e os pensionistas "vão ter atualizações muito abaixo da inflação no próximo ano e ficam sem saber se têm agora direito ou não a atualizações anuais".

"A Segurança Social portuguesa é sustentável", afirmou Catarina, sublinhando que "o discurso do Governo não se tem distinguido do discurso da direita quando cortou pensões e é uma mentira", pois "a atualização não põe em causa a sustentabilidade da Segurança Social. O que é preciso é atualizar também os salários, porque é assim que se fortalece a Segurança Social". Hoje o sistema "tem mais receita do que despesas e o que é preciso são políticas de emprego e de salário para que assim permaneça", concluiu.

O Bloco irá insistir também na proposta de imposição de tetos aos preços dos bens alimentares essenciais, pois neste momento "os preços aumentam, mas os produtores passam dificuldades enquanto os lucros da grande distribuição têm aumentado e essas empresas distribuem dividendos. Este assalto tem de ser travado", prosseguiu Catarina.

"Controlo de preços e imposição de tetos, atualização de salários e imposto sobre lucros excessivos. É com estas propostas que estaremos em todo o país. Quem vive do seu trabalho não pode continuar a suportar esta inflação com salários congelados", sublinhou a coordenadora do Bloco.

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