A PSP voltou esta quinta-feira a executar uma "operação especial de prevenção criminal" na Rua do Benformoso e no Martim Moniz, em Lisboa. Segundo as imagens divulgadas nas redes sociais e os relatos na comunicação social, foi possível voltar a ver dezenas de cidadãos imigrantes encostados à parede e sujeitos a revistas por parte dos agentes fardados e à civil. Tal como na anterior operação de "prevenção" efetuada há poucas semanas no mesmo local, o resultado prático foi sobretudo o impacto mediático destas imagens, com a PSP a anunciar ter feito uma detenção por posse de estupefaciente e arma proibida por parte de um cidadão com nacionalidade portuguesa, tendo igualmente apreendido quase uma centena de artigos contrafeitos.
O Bloco de Esquerda reagiu ao final da tarde a esta nova operação que tem os imigrantes do centro de Lisboa como alvo, com o seu líder parlamentar Fabian Figueiredo a afirmar que "todo o país assistiu hoje a imagens aviltantes, revoltantes e indecorosas", com "dezenas de pessoas a serem encostadas à parede simplesmente por serem imigrantes".
Para o Bloco de Esquerda, isto é inaceitável e não se coaduna com os princípios do estado de direito democrático". E acusa o PSD de estar a fazer "campanha eleitoral para disputar apoio à extrema-direita usando para isso os meios e os recursos das forças de segurança".
Lembrando que o número da população imigrante em Portugal tem aumentado nos últimos anos e que isso não correspondeu a um aumento da criminalidade cometida por pessoas migrantes, Fabian Figueiredo diz ser "inaceitável que o Governo tenha embarcado numa campanha de perseguição aos imigrantes e que para isso instrumentalize as forças de segurança".
Os imigrantes não são um problema de segurança em Portugal. Ao aumento da imigração não correspondeu um aumento de crimes praticados por migrantes.
A "operação preventiva" no Martim Moniz não é sobre segurança, é só sobre a disputa do PSD com a extrema-direita.
Uma vergonha. pic.twitter.com/Cu2EFWjfB7— Fabian Figueiredo (@ffigueiredo14) December 19, 2024
Pela parte do Bloco, "não assistiremos impávidos e serenos a esta escalada que o Governo está a promover" e por isso vai chamar ao Parlamento a ministra da Administração Interna e o Diretor Nacional da PSP a darem explicações sobre se estas atuações "vão continuar ou vão finalmente parar", mas também se "vamos ter uma atuação da polícia que se conjugue com os princípios da segurança e tranquilidade pública ou vamos continuar a ter o Governo a usar a polícia para andar à caça da perceção".
"O Governo está a meter gasolina na fogueira do racismo e da xenofobia", avisou Fabian Figueiredo, concluindo que "num estado de direito democrático as forças de segurança preocupam-se em resolver os problemas da criminalidade e não a resolver as razões que o PSD acha mais úteis para subir nas sondagens".