Cerca de cem mil pessoas participaram neste sábado, em Roma, de um protesto contra o governo italiano de Silvio Berlusconi, que vai enfrentar uma moção de censura na terça-feira.
A manifestação foi convocada pelo Partido Democrata (PD), o principal da oposição, sob o lema "com a Itália que quer mudar". Dois desfiles saíram da Praça da República, na zona da estação ferroviária central de Termini, e da estação ferroviária de Ostia. Os dois grupos seguiram para a Praça São João de Latrão, no nordeste de Roma, tradicional local de grandes manifestações.
Na Praça da República, uma gigantesca bandeira vermelha pedia "Outra Itália", enquanto um grupo de presidentes de câmaras da Toscana estavam mascarados de Harry Potter para dizer que não podem fazer magia na administração dos seus municípios.
Berlusconi tem uma larga maioria no Senado, mas está em perigo na Câmara dos Deputados depois da ruptura do seu antigo aliado Gianfranco Fini, presidente da Câmara, que criou o partido Futuro e Liberdade.
Fini promete votar em bloco para derrubar o governo, mas até à hora da votação haverá negociações e já ontem o primeiro-ministro apresentou uma proposta de nova lei eleitoral que poderia agradar à nova formação da direita.
Compra de votos
Entretanto, o Ministério Público de Roma abriu na sexta-feira uma investigação sobre supostas tentativas de "compra" de parlamentares da oposição pela maioria de direita de Berlusconi.
A investigação segue uma queixa apresentada por Antonio Di Pietro, ex-juiz, chefe do partido da oposição Itália dos Valores (IDV), após a saída dessa formação, na quinta-feira, de dois deputados do IDV, um que garante que votará a favor do governo e outro que ainda não decidiu.
A prática consiste em "comprar" um parlamentar quando está em jogo a permanência do governo, como vai acontecer em 14 de Dezembro. Normalmente são prometidos cargos ministeriais ou contratos lucrativos de consultoria nessas negociações, segundo a imprensa italiana.
De acordo com uma investigação recente do jornal La Repubblica, a "tarifa" para esses "contratos de consultoria" representa o equivalente ao salário anual de um parlamentar (o mais elevado na Europa, superior a 120 mil euros brutos).
"No dia 14 de Dezembro, não sei se Berlusconi conseguirá comprar uma maioria", mas "estamos diante de um espectáculo indecente que ilustra a degradação da nossa cultura política", afirmou Nichi Vendola, presidente da região de Puglia (sul da Itália).
Fini mostra-se confiante na derrota do governo: "Eu não tenho uma bola de cristal, mas acredito que Berlusconi não terá a confiança", disse.