Itália: estudantes abalam governo de Berlusconi

26 de novembro 2010 - 1:06

Manifestações contra a reforma universitária tomam as ruas de todo o país e fazem estremecer o gabinete de Silvio Berlusconi, que já não tem maioria parlamentar segura.

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Nas ruas, os estudantes estão a receber a simpatia e o apoio da população, dos sindicatos, dos professores.

Milhares de estudantes saíram às ruas de toda a Itália nesta quinta-feira, num protesto contra a reforma universitária do abalado governo de Silvio Berlusconi. Ocuparam edifícios universitários, bloquearam ruas e invadiram a Torre de Pisa e o Coliseu de Roma. No segundo andar do Coliseu, gritaram: "nós somos os verdadeiros leões", enquanto acenavam com sinalizadores de fumo vermelho. Em Florença, um jovem ficou ferido devido a confrontos com a polícia.

A reforma, que está em debate no Parlamento, inclui cortes de gastos e limita a duração das investigações.

Os protestos ocorreram um dia depois das grandes manifestações estudantis no Reino Unido, contra o aumento das propinas universitárias.

A ministra da Educação, Mariastella Gelmini, disse que a reforma pretende poupar milhares de milhões de euros até o fim de 2012 e criar um sistema baseado no mérito. Mas a oposição afirma que os cortes propostos vão agravar a situação do ensino superior.

Governo abalado

As mobilizações estudantis coincidem com uma grave crise na base parlamentar do governo, que perdeu a maioria desde a cisão de Gianfranco Fini, o presidente do Parlamento que abandonou o Povo da Liberdade para criar o seu próprio partido, Futuro e Liberdade.

Cada lei debatida, assim, é um cenário de batalha campal, pois o governo precisa de mais dez votos do que os que tem garantidos para vencer. Justamente nesta quinta-feira, perdeu a votação de uma emenda à reforma universitária apresentada por um deputado do agrupamento de Fini e apoiada por toda a oposição.

A ministra da Educação desvalorizou o resultado, argumentando que a emenda "não era particularmente negativa", mas ameaçou retirar a reforma caso sejam votadas emendas "cujo conteúdo modifique substancialmente o sentido” da lei.

Moção de censura

A votação da reforma universitária está a ser um ensaio geral para as votações parlamentares decisivas, que vão ocorrer a 14 de Dezembro, quando será discutida uma moção de censura ao governo no Parlamento, e outra de confiança no Senado. Já há pressões para que Silvio Berlusconi se demita, para abrir caminho a outro governo de base maioritária, mas o primeiro-ministro mostra-se intransigente.

Nas ruas, entretanto, os estudantes estão a receber a simpatia e o apoio da população, dos sindicatos, dos professores.