Está aqui

Berlinale: Em streaming, o cinema luta contra a pandemia

O 71º Festival Internacional de Cinema de Berlim começou esta segunda-feira. Não no formato habitual, mas em duas etapas: a primeira arranca agora, a segunda, já com público, lá mais para o verão, em Junho. Uma vez mais, Portugal está bem representado. Artigo de Paulo Portugal.

No outono passado, o Festival de Cinema de Berlim enviou convites à imprensa, informando-os de que testes ambiciosos e taxas de ocupação limitadas seriam um pré-requisito para a edição deste ano da Berlinale. No entanto, devido à deterioração da situação epidemiológica, ficou fora de questão realizar a revisão no formato usual.

Ao contrário do Festival de Cannes, que não equaciona uma deslocação para o espaço virtual, Carlo Chatrian optou pelo formato online. Assim, todas as grandes exibições serão realizadas para a imprensa, produtores e distribuidores credenciados na Internet por cinco dias.

Na competição, atenções viradas para Mr. Machman and His Class, o documentário de três horas e meia da germânica Maria Speth (que já passou pelo IndieLisboa), seguindo uma turma de estudantes refugiados num processo de total integração. Ainda a produção iraniana Ballad of a White Cow, da dupla Maryam Moghadam, sobre a luta de uma mulher (a própria realizadora) contra o sistema judicial para tentar salvar o marido da pena de morte por um crime que não cometeu. O alemão Dominik Graf evoca em Fabian – Going to the Dogs, uma visão soturna da Alemanha, em 1931, adaptando o romance autobiográfico de Erich Kästner Fabian, considerado um dos mais importantes da República de Weimar. Espera-se igualmente muito dos novos filmes da francesa Céline Sciama (Petite Maman), do coreano Hong Sang-soo (Introduction), do romeno Radu Jude (Bad Luck Banging or Loony Porn) ou do mexicano Alonso Ruizpalacios (Una Pelicula de Polícias).

Em Junho, de 9 a 20, está prevista a realização de projeções offline e uma cerimónia de entrega de prémios. No entanto, saberemos os nomes dos laureados já na sexta-feira, pois o júri também trabalha online. Este ano há um júri de peso na secção competitiva, já que é constituído apenas por cineastas vencedores dos Ursos de Ouro da Berlinale em diferentes anos.

São eles o iraniano Mohammad Rasoulof (O Mal Não Existe, estreado em Portugal em Dezembro do ano passado), o mais recente vencedor, o israelita Nadav Lapid (Sinónimos), a romena Adina Pintilie (Não Me Toques), Ildiko Enyedi (Corpo e Alma) da Hungria, o italiano Gianfranco Rosi (Fogo no Mar) e Jasmila Zbanic (Grbavica), da Bósnia e Herzegovina.

Eles terão que escolher entre quinze filmes, entre eles os novos filmes de Hong-Sangsoo (Introduction), Radu Jude (Bad Luck Banging or Loony Porn) e o actor germânico Daniel Bruhl, a estrear-se como realizador, com Next Door.

Portugueses (online) em Berlim

Uma vez mais, o festival de Berlim serve de montra para mostrar diversas produções (ou co-produções) portuguesas. Diogo Costa Amarante participa uma vez mais com uma curta (Luz de Presença), sobre a particular relação de um jovem acidentado de moto com Diana. Já Susana Nobre mostra no Fórum No Táxi de Jack, sobre as peripécias de um ex-emigrante à beira da reforma.

No Forum Expanded será a vez de vermos Joacine Katar Moreira no filme-dança de Welket Bungué, Mudança. Passam ainda 13 Ways of Looking at a Blackbird, de Ana Vaz, e a coprodução com a Áustria Night for Day, de Emily Wardill.

O prestigiado Berlinale Talents irá apreciar os trabalhos do documentarista Paulo Carneiro (Bostofrio) bem como de David Pinheiro Vicente (O Cordeiro de Deus).


Competição oficial:
Albatros
, de Xavier Beauvois (França)
Bad Luck Banging or Loony Porn, de Radu Jude (Roménia)
Fabian – Going To The Dogs, de Dominik Graf (Alemanha)
Ballad of a White Cow, de Bentsah Sanaeeha e Maryam Maghaddam (Irão)
Wheel of Fortune and Fantasy, de Ryusuke Hamaguchi (Japão)
Mr. Bachmann and His Class, documentário de Maria Speth (Alemanha)
I’m Your Man”, de Maria Schrader (Alemanha)
Introduction, de Hong Sang-soo (Coreia do Sul)
Memory Box, de Joana Hadjuthomas e Khalil Joreige (França/ Líbano)
Next Door, de Daniel Brühl (Alemanha)
Petite Maman, de Céline Sciamma (França)
What Do We See When We Look At The Sky?, de Alexandre Koberidze (Alamanha/ Geórgia)
Forest – I See You Everywhere, de Bence Fliegauf (Hungria)
Natural Light, de Dénes Nagy (Hungria)
Uma Película de Policías, documentário de Alonso Ruizpalacios (México)

Sobre o/a autor(a)

Jornalista de cultura e cinema, autor do site insider.pt
Termos relacionados Berlinale 2021, Cultura
(...)