No que respeita ao crédito de 360 milhões, obtido junto da Caixa Geral de Depósitos (CGD), o valor em risco é de aproximadamente 300 milhões, já que as garantias reais entregues por Joe Berardo à CGD valiam, na semana passada, apenas 60 milhões de euros. Segundo noticia o jornal Público, em causa estarão títulos do Banco Comercial Português (BCP), adquiridos a crédito, e que, na semana passada, estariam a ser negociados na Bolsa de Lisboa a 20 cêntimos cada.
Conforme indicam os documentos enviados pela CGD ao Banco de Portugal (BdP), ao Governo e à PricewaterhouseCoopers (PwC), que, juntamente com o BdP, é responsável pela auditoria às contas do grupo público, Berardo terá contraído, em 2006, um empréstimo junto da CGD de 50 milhões de euros, a ser pago até Julho de 2011. Entretanto, terá, em 2007, contraído um novo empréstimo de 350 milhões de euros, a vencer em Maio de 2012. Ambos os financiamentos foram empregues na compra de acções do BCP.
Além dos empréstimos contraídos junto da CGD, Berardo deve ainda 400 milhões ao BCP e mais de 250 milhões ao Banco Espírito Santo (BES).
Em 2009, estas instituições concordaram em prolongar o prazo do pagamento destas dívidas, tomando como garantia 75% de uma colecção de arte que se encontra no Centro Cultural de Belém e que está avaliada em 316 milhões de euros.
Sabe-se, contudo, que o Estado tem a opção de compra desta colecção, que terá que exercer até 2016, pelo que os bancos dificilmente poderão executar esta garantia.