Beatriz Dias: "O objetivo é derrotar a crise social e a crise da habitação

20 de março 2021 - 11:25

Em entrevista ao jornal Público, a candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa sublinha ainda a importância de melhorar o serviço de transportes públicos e ter uma cidade que pensa na crise climática.

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Beatriz Dias, candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa. Foto de Ana Mendes.

“Uma das prioridades é combater a crise da habitação. Outra dimensão é melhorar o serviço de transportes públicos e poder ter uma cidade que pensa na crise climática. É preciso criar uma cidade de proximidade, de serviço, em que as pessoas possam ir a pé fazer as suas compras ou ir a uma livraria”, afirma Beatriz Dias em entrevista ao jornal Público.

A candidata à Câmara Municipal de Lisboa lembra que o Bloco insistiu “que o programa de renda acessível fosse um pilar público” e que “o PS insiste e continua a insistir num pilar privado”. “É preciso que haja uma intervenção do município nessa área. Não tem sido essa a opção do PS e é uma divergência que temos”, assinala.

Beatriz Dias defende que “financiar uma operação pública de renda acessível passa por alocar recursos a esse programa”.

“Quando definimos prioridades, temos de encontrar recursos para as cumprir. Essa argumentação que o PS dá é a que usa para continuar a usar terrenos públicos para disponibilizar a investidores privados para construírem e depois ficarem com 30% da operação, com a qual obtêm grandes rendimentos. Se a operação fosse toda da autarquia, esses rendimentos que resultam da renda cobrada seriam para a própria autarquia. É preciso ter uma estratégia central”, aponta.

Questionada sobre como perspetiva a evolução do turismo na cidade nos próximos anos, Beatriz Dias recorda que, “em relação à habitação, conseguiu-se criar um tecto máximo de alojamento local nalgumas zonas, o que já é bom porque retira um bocado a pressão do alojamento para turismo nesses territórios”.

A candidata do Bloco considera que, “para a resiliência da cidade, é preciso que não se centre tudo numa única atividade económica”. “É preciso ter outras atividades económicas na cidade”, destaca.

De acordo com Beatriz Dias, se conseguirmos recuperar habitantes para Lisboa, “numa situação de crise semelhante a esta há pessoas que continuam a frequentar os restaurantes, os cafés, os teatros, os cinemas, o comércio local, as mercearias. Isso gera receita, potencia a própria cidade”.

No que concerne à estratégia de Fernando Medina de atrair grandes empresas, o Bloco vê “com preocupação se essa solução for para, mais uma vez, aprofundar a desertificação da cidade e os problemas que já existem, aumentando a pegada ecológica, trazendo mais carros”.

“Qualquer projeto de atração de atividade económica para a cidade deve partir de um diagnóstico dos efeitos que irá ter”, defende.

“Pensar na cidade para todas e para todos”

Beatriz Dias refere que “há outras dimensões que têm que ver com o combate à desigualdade, aos preconceitos e ao discurso de ódio”.

Temos de “pensar na cidade para todas e para todos. É preciso inscrever Lisboa como sendo uma zona livre de discriminação e ter isto como moldura de análise para a construir”, vinca.

A candidata bloquista alerta que nos devemos mobilizar contra os “mecanismos que afastam as pessoas negras, ciganas, LGBT, as mulheres, as pessoas com deficiência”. E é preciso combater “a construção de zonas da cidade onde a população mais desfavorecida é colocada e onde há falta de serviços públicos”. “Precisamos de ter outra ideia de bairros para que as pessoas possam ter uma vivência da cidade”, enfatiza.

Sobre as expectativas em relação ao resultado eleitoral da candidatura do Bloco, Beatriz Dias sublinha a importância de reforçar a votação, ter mais vereadores para “podermos influenciar mais e termos uma maior capacidade de mudar e transformar”. E é perentória no que respeita ao objetivo do partido: "O objetivo é derrotar a crise social e a crise da habitação".