Banqueiros britânicos foram “arrogantes e estúpidos”

02 de setembro 2011 - 10:49

“Quase deitaram tudo abaixo”, diz Alistair Darling, ex-ministro das Finanças do governo britânico de Gordon Brown num livro de memórias em que acusa também os presidentes de bancos de “ingratidão chocante”.

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Alistair Darling: banqueiros estúpidos, arrogantes e ingratos. Foto wikimedia commons

Alistair Darling, ex-ministro das Finanças do governo britânico de Gordon Brown escreveu num livro de memórias a publicar em breve que os banqueiros do seu país foram "tão arrogantes e estúpidos que podiam ter deitado tudo abaixo" durante a crise financeira de 2008, que levou o governo a socorrê-los com 50 mil milhões de libras.

Passagens do livro foram publicadas por um blog trabalhista e retomadas pelo diário The Independent.

Para Darling, os banqueiros “mostraram uma ingratidão chocante”, apesar do pacote de resgate maciço que manteve os seus negócios à tona.

O ex-ministro das Finanças revela que o quase colapso do Royal Bank of Scotland teria-se alastrado rapidamente a outros bancos se o governo não tivesse corrido para lhes fornecer um resgate de emergência. "Estávamos na fase em que num espaço muito curto de tempo, um dos maiores bancos do mundo teria de fechar a porta e desligar a electricidade", disse ao The Independent.

Darling diz no livro que Sir Fred Goodwin, ex-diretor executivo do Royal Bank of Scotland, se comportou como se estivesse "fora a jogar uma partida de golfe", em vez de enfrentar a ameaça de colapso no sector bancário. E diz mesmo que "Goodwin merecia ser um pária", quando mais tarde se recusou a reduzir o valor milionário da sua pensão quando foi forçado a renunciar.

Também Andy Hornby, o ex-executivo-chefe do HBOS, diz o ex-ministro, olhava “como se estivesse prestes a explodir" quando confrontado com a gravidade da crise que se desenvolveu sob a sua liderança.

No início do ano, Darling já revelara que as pessoas estiveram apenas a duas horas de distância de deixarem de poder levantar dinheiro de bancos britânicos durante a crise em Outubro de 2008.