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Aves marinhas estão a ser caçadas de forma insustentável

Há trinta espécies em risco, nove das quais se encontram ameaçadas de extinção, diz um estudo científico focado na Ásia-Pacífico.
Seixoeira-Grande, uma espécie ameaçada. Foto de Changhua Coast Conservation Action/Flickr.
Seixoeira-Grande, uma espécie ameaçada. Foto de Changhua Coast Conservation Action/Flickr.

O estudo Extent and potential impact of hunting on migratory shorebirds in the Asia-Pacific demorou cinco anos. Foi finalmente publicado na revista científica Biological Conservation. E as suas conclusões não são animadoras.

Os autores concluem que a caça de aves migratórias marinhas em número excessivo é uma “ameaça generalizada à biodiversidade”. Isto apesar de também sublinharem que existe uma falta de “dados robustos” sobre a caça deste tipo de pássaros por falta de “monitorização coordenada”.

Contabilizando os números de aves antes e depois das épocas de caça e a sua circulação no corredor migratório da Ásia do Leste de Australásia, um dos nove conhecidos no mundo, utilizando registos de há várias décadas provenientes de 14 países, considera-se “evidente” que, para além das ameaças aos habitats, a caça “tem o potencial de ser um fato adicional de pressão sobre as populações de aves marinhas.”

Será preciso desenvolver “um sistema de monitorização coordenada da caça à escala do percurso migratório” porque os níveis passados de predação “terão sido insustentáveis”. Mais de 30 espécies, nove das quais ameaçadas de extinção estarão a sofrer desta pressão sobre as suas populações.

Três zonas concentram as preocupações: a baía de Pattani na Tailândia, Java Ocidental na Indonésia e o delta do rio Yangtse na China. Aí 16 espécies, num total de 17 mil aves, enfrentarão a caça excessiva. Um dos co-autores do estudo, Richard Fuller, disse ao Guardian que os números envolvidos são “aterrorizadores”, admitindo que há “centenas de outros locais ao longo da rota migratória onde a caça acontece. É altamente provável que níveis insustentáveis de caça estejam a ser atingidos para muitas espécies”, sendo esta “uma ameaça escondida que conhecíamos mas até agora não tínhamos sido capaz de quantificar a dimensão do problema.”

O seu coordenador, Eduardo Gallo-Cajiao, investigador na Universidade de Queensland, explica assim que o objetivo era contrariar a ideia de que “a caça não era verdadeiramente um problema”, o que tinha resultado numa falta de análises sistemáticas. “Até agora, o que tínhamos era pedaços e partes de dados sobre a caça provenientes de diferentes locais isoladamente mas ninguém os tinha juntado para ficar com um quadro mais vasto.”

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