Está aqui

Ativistas espalham dinheiro sujo de petróleo no Ministério do Ambiente

O coletivo Climáximo, que se opõe ao furo de petróleo em Aljezur, denuncia a “promiscuidade entre o governo e o consórcio ENI/GALP” e sublinha “os processos corruptos em que o executivo tomou o lado das empresas multinacionais contra o interesse público e o planeta".

Na ação chamada "Os vossos lucros VS O nosso clima", ativistas do coletivo Climáximo, vestidos como homens de negócio, entraram no Ministério do Ambiente e espalharam dinheiro sujo de petróleo por todo o lado.

O Climáximo lembra que “o governo tem uma longa lista de decisões a favor das empresas petrolíferas”.

Conforme assinala o coletivo, no ano passado, a Plataforma Algarve Livre de Petróleo interpôs uma providência cautelar contra a atribuição da licença para a perfuração.

“Umas semanas após a aceitação pelo tribunal, o governo emitiu sem a divulgar uma resolução travando o efeito suspensivo da providência”, avança o Climáximo, sublinhando que “os argumentos usados pelo governo foram meramente económicos e contratuais” e que, “recentemente o tribunal de Loulé deu razão à PALP e a providência cautelar voltou a ter efeito”.

O coletivo recorda ainda que, em setembro de 2017, um barco fez sondagens ao largo de Aljezur e foi avistado pelas organizações da sociedade civil e que, “após os pedidos de esclarecimento por parte destas organizações, o governo negou a existência destas atividades”.

“Apesar das três consultas públicas unânimes contra o furo, o governo estendeu o contrato da ENI/GALP, caducado em 2017” e, apesar dos milhares de participantes na última consulta pública que exigiram uma avaliação de impacto ambiental (AIA), o governo isentou as empresas da AIA e deu luz verde para a operação de perfuração”, escreve o Climáximo.

Os vossos lucros não justificam a destruição do nosso planeta

O coletivo destaca que “estamos num momento de contradição profunda entre os lucros das multinacionais e um planeta habitável” e que, “para evitarmos a crise climática, não pode haver nenhuma nova infraestrutura de combustíveis fósseis em nenhum sítio do mundo”.

“O governo sabe disto, as empresas sabem disto, mas o capitalismo impõe as suas regras e empurra a humanidade inteira para o abismo do caos climático irreversível”, alerta o Climáximo, defendendo que “há valores mais importantes para a sociedade do que os interesses económicos das multinacionais”.

“Os vossos lucros não justificam a destruição do nosso planeta. Temos que parar o furo”, remata.

 

Termos relacionados Petróleo em Portugal, Ambiente
(...)