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Ativistas de Hong Kong presos na China estão incontactáveis há 20 dias

Segundo os familiares, que esconderam as identidades, os detidos não têm acesso a um advogado da sua escolha, não podem receber a medicação que tomavam e os familiares não têm qualquer notícia sua há vinte dias. Entre estes está um estudante luso-chinês.
Manifestante em protesto.
Manifestante em protesto. Fotografia de Red Flag.

Os familiares do grupo preso na China há 20 dias pedem permissão para enviar medicamentos ou simplesmente falar com os detidos, instando as autoridades a permitir que estes acedam a advogados e que regressem a Hong Kong.

No total são 12 os ativistas pró-democracia no território semi-autónomo que foram detidos a 23 de agosto pela guarda costeira chinesa. Segundo a agência Lusa, o grupo foi detido por suspeita de "travessia ilegal" quando se dirigia de barco para Taiwan, onde se pensa que procuravam asilo político.

O pedido foi feito em conferência de imprensa organizada pelos familiares de seis dos doze ativistas, que envergavam capuzes, óculos de sol e máscaras para omitir a sua identidade. 

Em conferência de imprensa, exigiram que as autoridades chinesas permitam o acesso dos seus familiares aos advogados da sua escolha, até agora recusado pelas autoridades prisionais, em alguns casos alegando que já teriam sido nomeados advogados oficiosos pelo Estado chinês.

"Não consigo dormir desde que ouvi a notícia [da detenção]. Estou muito preocupada [...], nem sequer sei se ele ainda está vivo", queixou-se a mãe de um dos detidos, citada pela correspondente da agência France-Presse (AFP) em Hong Kong.

Em alguns casos foi-lhes recusado enviar medicação de que os seus familiares dependem, como antidepressivos ou medicamentos para a asma.

"Todas as manhãs ele precisa de inalar o remédio para a asma", explicou o irmão de um dos ativistas detidos, contando que, quando ligou para o centro de detenção em Shenzhen, na China, para tentar que os medicamentos lhe fossem entregues, um agente lhe terá dito que a sua identidade não podia ser verificada, desligando o telefone.

No início da passada semana, Carrie Lam, chefe do executivo de Hong Kong, disse que os 12 detidos do território na China têm de responder às acusações no continente antes de o governo da região poder intervir, um anúncio criticado hoje pelas famílias.

"Espero que o governo [de Hong Kong] nos possa dizer o que se está a passar", apelou a mãe de outro dos detidos. "Quanto mais notícias leio, mais medo tenho", acrescentou.

Entre os detidos está Tsz Lun Kok, um jovem com passaporte português. Segundo o seu advogado, que falou com a agência Lusa e também pediu para não ser identificado, a mãe do jovem não participou na conferência de imprensa por temer que isso pudesse prejudicar o filho, que enfrenta acusações relacionadas com a participação nos protestos pró-democracia na antiga colónia britânica, em 2019.

O advogado afirma que continua a aguardar uma resposta do Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong. 

"Dizem que estão a acompanhar [o caso], mas os esforços que dizem estar a fazer estão longe de ser satisfatórios", criticou, defendendo que um representante consular deveria "dirigir-se pessoalmente ao centro de detenção em Shenzen", em vez de tentar contactar as autoridades chinesas por telefone.

A agência Lusa procurou obter informações junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros para saber que diligências foram feitas, mas não obteve resposta. 

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