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Ativistas climáticos cimentam buracos de golfe contra privilégios no uso da água

França vive uma seca grave e implementa medidas de limitação do uso da água. Os campos de golfe são exceção e, para protestar contra isso, um coletivo de vários grupos ambientalistas decidiu passar à ação direta.
Buraco de golfe tapado com cimento como forma de protesto contra a exceção concedida aos campos de golfe no que diz respeito às restrições ao uso de água.
Buraco de golfe tapado com cimento como forma de protesto contra a exceção concedida aos campos de golfe no que diz respeito às restrições ao uso de água.

França vive uma seca grave. Em 62 departamentos foi declarada situação de crise e em cem localidades falta já água potável. Para colmatar a situação, foi criado um gabinete inter-ministerial de crise e implementadas, desde junho, medidas de restrição em 93 dos 96 departamento do país. Estas passam, nas zonas mais afetadas, pela proibição de rega de relvados e canteiros de flores, de lavagem de veículos e de encher piscinas privadas. Mas os campos de golfe conseguiram ser exceção. Isto, de acordo com vários grupos ambientalistas, é um privilégio injustificado e um desperdício.

Por isso, na noite de quarta para quinta-feira da semana passada, membros de um coletivo que se chamou Kirikou, e que integra grupos como o Extinction Rebellion, passaram à ação, cimentaram os buracos e “plantaram” cartazes no green de dois campos de golfe na região de Toulouse, o de Garonne e o de Vieille Toulouse.

De acordo com o comunicado em que explicaram a sua ação, “a rega dos greens, percursos e saídas dos campos de golfe está autorizada por derrogação devido ao custo de manutenção destes terrenos muito luxuosos.” A “passagem à ação direta” dá-se no que pensam ser “um contexto de blábláblá incessante dos políticos que nunca ousam tomar as decisões necessárias”. Os números que apresenta, datados de 2002, e que analisavam o consumo de água de cerca de uma centena de campos de golpe, concluíam que usavam a água equivalente a uma cidade de meio milhão de habitantes, ou seja 5.000 habitantes por cada campo de golfe.

O Kirikou lançou também uma petição online na qual exige o fim da rega dos campos de golfe nas zonas mais afetadas pela seca e o fim das exceções, para além de um “controlo real das captações de água e a obrigação de transparência e de apresentação regular de relatórios”.

Contrastam as restrições de rega “para alguns horticultores e para a agricultura com a situação dos campos de golfe, “um desporto reservado aos mais abastados que são poupados da maior parte das restrições ao uso da água”.

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