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Atentados ambientais em Setúbal lembram que “o clima é a luta das nossas vidas”

Na apresentação da candidatura bloquista em Setúbal, Catarina Martins trouxe os exemplos das lutas ambientais do concelho. Pedreiras, cimenteira e dragagens do Sado serviram para realçar que o “pior inimigo” é o “modelo do negócio dos milhões rápido para alguns à conta de todos”.
Catarina Martins em Setúbal. Foto de ANTÓNIO COTRIM/Lusa.
Catarina Martins em Setúbal. Foto de ANTÓNIO COTRIM/Lusa.

Ao final da manhã deste domingo, Catarina Martins foi a Setúbal participar na apresentação dos candidatos do Bloco de Esquerda à autarquia. Aí escolheu destacar um tema “tão importante” localmente e que também o é certamente a nível global, “a centralidade das políticas ambientais e das políticas climáticas”.

Começou por falar na pandemia “anunciada tantas vezes por aqueles que nos disseram que as alterações climáticas iam trazer não só fenómenos extremos de calor, de tempestades, de frio, mas também novos problemas de saúde, novas epidemias, novos vírus” para sublinhar que esta realidade nos lembra que o ambiente tem importância “na nossa vida muito concreta e não num futuro muito longínquo”.

Depois tomou como exemplo do que tem sido feito “da forma errada”em termos ambientais as dragagens do Sado. Um exemplo “bom pela gravidade” que nos mostra “tudo o que não se deve fazer. em nome do ganho imediato de alguns, compromete-se o futuro de todos”.

O Bloco, pelo contrário, esteve “desde a primeira hora e continua a estar” do lado dos movimentos ambientalistas locais. O partido avisou “que as dragagens no Sado eram um crime”, contestando a posição do ministro do Ambiente “sempre mais rápido a defender negócios do que a defender recursos naturais” e que dizia em maio do ano passado “que afinal estava a correr tudo lindamente, que 80% das dragagens tinham sido feitas e não havia nenhum problema”. A coordenadora do partido mostrou que isto “não é verdade” como o provam “os problemas nas praias da Arrábida com as areias” a que agora se assiste, assim como o rebentamento de uma bacia com lama das dragagens em janeiro deste ano que “arrasou uma praia da Arrábida, em zona protegida do Estuário do Sado que é classificada pelos ambientalistas como uma espécie de maternidade de biodiversidade nesta península”. Um “esteio fantástico”, uma “pradaria de biodiversidade que foi posto em causa pelas lamas da dragagens”, lamentou.

Catarina Martins criticou neste caso a “pressa do negócio” e a “incapacidade de olhar o futuro” que trazem velhos argumentos, “a chantagem é sempre a mesma”: “ou aceitamos o negócio de milhões que põe em risco os nossos recursos naturais, ou virá a desgraça económica e o desemprego”. Em Setúbal “já sabem todos que não é verdade” já a história se repetiu das pedreiras, à cimenteira, às dragagens do Sado. “Os negócios de milhões põem em risco os nossos recursos naturais são sempre milhões só para alguns porque nunca foram uma promessa de emprego, uma promessa de salário justo, digno para quem aqui vive. E são sempre sim a ameaça sobre a saúde, a ameaça sobre a biodiversidade, a ameaça sobre o nosso planeta”.

Em seguida, a porta-voz do Bloco mencionou outra questão ambiental “que é de todo o país”, o recente decreto-lei sobre minas em que o governo “permite que haja minas mesmo nas áreas protegidas”. Até na rede Natura 2000 e contrariando o ministro do Mar que tinha afirmado “que é preciso uma moratória sobre a mineração no mar enquanto se vê como se desenvolve a tecnologia”. O Bloco pediu a apreciação parlamentar deste decreto-lei que, para além do mais, é “uma afronta às populações locais” que “praticamente não são ouvidas quando se decide fazer uma mina seja onde for”. O partido quer mudar a lei porque “as zonas protegidas deste país têm de ser mesmo zonas protegidas” e “o mar não pode estar a saque”.

Catarina Martins pensa que o “modelo do negócio dos milhões rápido para alguns, à conta de todos é o nosso principal inimigo” que deve ser combatido “com a certeza que uma política ambientalmente responsável e com a resposta certa à emergência climática essa sim trará emprego, essa sim trará salário digno, será em nome de todos e de todas”.

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