Atenas: Centenas de imigrantes em greve de fome há mais de um mês

02 de março 2011 - 17:12

Os serviços médicos gregos hospitalizaram esta terça-feira em Atenas e Salónica 54 dos mais de 300 imigrantes que há 37 dias entraram em greve de fome para exigir uma autorização de trabalho e de residência na Grécia.

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As organizações de direitos humanos têm criticado repetidamente a Grécia por não prestar apoio às pessoas que fogem dos conflitos em África, no Médio Oriente e no continente indiano.

Segundo a agência Efe, os hospitalizados fazem parte de um grupo de cerca de 300 imigrantes, na sua maioria oriundos do Magrebe, que iniciaram uma greve de fome há mais de um mês para exigir que lhes seja concedido o direito de residência e trabalho na Grécia.

De acordo com organizações da sociedade civil que acompanham o caso, muitos destes imigrantes não têm conseguido renovar as respectivas autorizações apesar de residirem e trabalharem na Grécia há vários anos. Os serviços sanitários decidiram hospitalizar os 54 imigrantes perante o perigo de os seus órgãos vitais poderem ser afectados de forma permanente, informaram fontes médicas.

Entre os hospitalizados, 14 apresentavam sintomas de falha renal e os restantes problemas de saúde diversos, depois de, durante um mês, terem apenas ingerido água com açúcar. Desde domingo, 36 dos imigrantes que estão em greve de fome negam-se, inclusive, a beber água, tendo 18 sido hospitalizados.

Os imigrantes, na sua maior parte oriundos do Norte de África, são protagonistas da maior mobilização deste tipo jamais realizada na Grécia depois de uma greve da fome nas prisões realizada há alguns anos.

Num apelo tornado público, os imigrantes explicam que a sua situação se deve a circunstâncias de pobreza, ditaduras e falta de apoio dos países ocidentais que os faziam viver em condições infra-humanas. “As empresas multinacionais e os seus servidores políticos não nos deram outra alternativa que não seja arriscar dez vezes as nossas vidas para conseguirmos chegar às portas da Europa. Vivemos sem dignidade, na escuridão da ilegalidade beneficiando empregadores e serviços estatais com a dura exploração do nosso trabalho. Vivemos do nosso suor e com o sonho de um dia ter os mesmos direitos que os nossos companheiros trabalhadores gregos”, declararam os imigrantes.

Artistas, actores e académicos gregos juntaram-se esta terça-feira numa conferência de imprensa em Atenas para transmitir o seu apoio aos imigrantes. "O tempo está a acabar e o governo ainda não se apercebeu [disso]", criticou Nadia Vartzeli, uma médica que integra o comité de solidariedade. O governo de Atenas parece, contudo, não querer ceder.

Ainda nesta terça-feira, o ministro do Interior grego, Yanis Ragusis, insistiu que "não se concederão autorizações de residência permanentes" a imigrantes ilegais. O território grego é a porta de entrada da maior parte dos fluxos migratórios clandestinos que se dirigem à União Europeia, referem dados de Bruxelas, citados pelo Diário de Notícias.