Gaza

Ataque israelita incendeia o último hospital a funcionar no norte de Gaza

27 de dezembro 2024 - 15:50

Depois de dias de fortes ataques, o Hospital Kamal Adwan ficou em chamas. Parte do pessoal e pacientes foram forçados a ir para o Hospital Indonésio que não está operacional porque também foi destruído, colocando muitas vidas em risco para além das que já morreram nos ataques.

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Destruição em Gaza.
Destruição em Gaza. Foto de Mohammed Baba/Médicos sem Fronteiras.

O exército israelita intensificou esta sexta-feira os ataques contra o Hospital Kamal Adwan no norte da Faixa de Gaza provocando um incêndio nas suas instalações. As unidades cirúrgica, de emergência e de manutenção estarão completamente queimadas e o fogo continua a alastrar-se, explica o ministro da Saúde palestiniano.

Há pacientes e trabalhadores da saúde que foram transferidos à força para o Hospital Indonésio, o qual não tem eletricidade nem geradores, faltando também materiais básicos para cuidados de saúde. Depois de semanas de bombardeamentos contra a sua infraestrutura, este hospital já não se encontra minimamente operacional e tinha sido também ele evacuado na terça-feira. Uma vez que, sofrendo também ataques violentos, o hospital Beit Hanoun fora destruído, o hospital agora incendiado era o único funcional na região.

O exército sionista tinha emitido uma ordem de evacuação do Kamal Adwan, ao mesmo tempo que continuou os ataques nas imediações das instalações matando cerca de cinco dezenas de pessoas tinha informado o diretor da unidade de saúde. Hussam Abu Safiya explicou que um pediatra e um técnico de laboratório e as suas famílias tinham sido mortos por um ataque de um avião israelita e que um terceiro trabalhador do Hospital, um técnico de manutenção foi morto quando tentou resgatar as vítimas desse ataque. Outros dois elementos, paramédicos, foram mortos a 500 metros do hospital.

Às 07.00 desta sexta-feira, os militares sionistas deram à administração hospitalar 15 minutos para pessoal médico e pacientes saírem para o pátio, de acordo com as declarações à BBC de Eid Sabbah, chefe do departamento de enfermagem. Entraram depois nas instalações. O responsável teme pela vida, nomeadamente das pessoas que se encontravam nos cuidados intensivos e ligados a ventiladores.

Do lado israelita, a história de sempre repete-se. Numa declaração foi afirmado, sem mais uma vez se apresentarem quaisquer provas, que o hospital seria uma base do Hamas “a partir da qual os terroristas têm vindo a operar ao longo da guerra”.

Nas suas redes sociais, Abu Safiya escreveu que “o exército ocupante está a incendiar todos os departamentos operacionais no hospital enquanto nós ainda aqui estamos”. Acrescentou ainda que vários trabalhadores da unidade foram presos e que os ataques causaram “um largo número de feridas entre o pessoal médico” e a destruição de muito do seu equipamento.

Toda esta área, na qual vivem ainda entre 10.000 a 15.000 pessoas, está sobre “um cerco quase total” segundo as Nações Unidas com a ajuda humanitária fortemente condicionada. A Oxfam explica que as tentativas de várias organizações humanitárias de abastecer a área têm vindo a deparar-se com “atrasos deliberados e obstruções sistemáticas” das forças armadas sionistas.

Para além deste ataque, registaram-se ainda vários outros na Faixa de Gaza. Neles, o total de pessoas assassinadas neste dia pelas forças sionistas ascende a pelo menos 25 pessoas. Num deles, na cidade de Gaza, um ataque a uma casa matou 15 pessoas de acordo com os serviços médicos.

Desde 7 de outubro, pelo menos 45.436 foram mortos pelos ataques israelitas e 108.038 ficaram feridos.