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Associações querem prioridade na vacinação para pessoas com deficiência

Mais de 70 associações escreveram aos responsáveis governamentais apresentando esta exigência e medidas para tornar o processo de vacinação mais acessível a todos. Estão ainda a divulgar uma petição no mesmo sentido.
Vacina. Foto de VCU Capital News Service/Flickr.
Vacina. Foto de VCU Capital News Service/Flickr.

Há dez dias, mais de 70 associações de pessoas com deficiência escreveram uma carta a várias entidades onde apelam a que esta população e os seus cuidadores sejam considerados prioritários na campanha de vacinação contra a Covid-19.

Os destinatários da carta foram vários desde o presidente da República, à ministra da Saúde e diretora-geral do setor, à secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, ao coordenador task force. De entre todas eles, contaram as associações à Lusa esta sexta-feira, apenas os gabinete do primeiro-ministro e do presidente da Assembleia da República responderam, ambos para dizer que reencaminharam a missa para outros: o chefe do executivo para o Ministério do Trabalho e da Segurança Social e o presidente do Parlamentos para os deputados da Comissão de Saúde e de Trabalho e Segurança Social.

Estas organizações sustentam que as pessoas portadoras de deficiência “não podem ficar esquecidas”, que sofrem maior risco de contrair Covid-19 devido às suas condições de saúde e ao contacto próximo com os cuidadores. Para além disso, correm também mais risco de desenvolver sintomas mais graves. Razões pelas quais não só esta população como também assistentes pessoais, cuidadores familiares e pessoas que trabalhem noutros serviços relacionados com a deficiência deveriam ser prioritários.

A proposta é que na primeira fase do plano de vacinação sejam incluídas todas as pessoas com deficiência, sem limite de idade, quem sofram de uma das patologias definidas como prioritárias. Jorge Falcato da associação Centro de Vida Independente explica à agência noticiosa nacional que “não há razão nenhuma para que na primeira fase exista um limite de idade quando sabemos que há muitas pessoas com deficiência que sofrem das comorbilidades estabelecidas para quem tenha mais de 50 anos”. O risco que correm é “muito maior” e não podem respeitar o distanciamento físico das pessoas de que estão dependentes.

Salvador Mendes de Almeida, da Associação Salvador, exemplifica: deixou de ter assistência porque duas das pessoas que eram suas assistentes pessoas. Isto “causou um enorme desequilíbrio” na sua vida e “sistema de apoios".

Para a segunda fase de vacinação, estas organizações defende que a vacinação seja alargada ao resto das pessoas com deficiência. Querem ainda que os locais de vacinação sejam acessíveis, que a divulgação de informação seja feita também com recurso a língua gestual, legendagem, braille ou leitura fácil, que existam programas específicos de transporte, orientações e assistência personalizada para quem precise.

Estas mesmas associações colocaram online uma petição a três dias que conta, no momento em que esta notícia foi redigida com cerca de 2.500 assinaturas.

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