Associação de Estudantes denuncia ameaças da extrema-direita

09 de março 2017 - 10:03

Em comunicado, a AE da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas denuncia a invasão das suas instalações por cerca de 40 militantes de extrema-direita. Presidente da República critica a decisão do diretor da faculdade de cancelar a conferência de Jaime Nogueira Pinto.

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O porta-voz do grupo Nova Portugalidade é Rafael Pinto Borges, membro do CDS e salazarista assumido. No seu facebook, faz-se retratar em lágrimas junto ao túmulo de Salazar.

O caso do cancelamento de uma conferência organizada pelo grupo de extrema-direita Nova Portugalidade na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa conheceu esta quarta-feira novos desenvolvimentos. Além da convocatória de uma concentração pelo partido fascista PNR para a porta da Faculdade, a extrema-direita está a publicar nas suas redes sociais as fotografias de dirigentes associativos daquela Faculdade, denuncia a Direção da Associação de Estudantes.

Na véspera, terça-feira, a sala da associação “foi invadida por quatro dezenas de indivíduos afetos à extrema-direita, que se identificaram como tal". A AE denuncia a atitude "claramente intimidatória" desses elementos, que exigiram os nomes de alguns dos membros da AEFCSH. Em declarações à RTP, o porta-voz do grupo Nova Portugalidade admitiu ter conhecimento dessa invasão, demarcando-se dela.

O comunicado da AE sublinha que a decisão de cancelar a conferência foi do diretor da Faculdade. A AEFCSH reitera que "nunca procurou impedir a existência de debate político nem a presença do professor Jaime Nogueira Pinto na faculdade", limitando-se a cumprir "uma decisão da Reunião Geral de Alunos que a mandatou para não ceder o auditório pedido pela organização Nova Portugalidade". O diretor da faculdade não deu espaço à conferência depois de informado pelo grupo Nova Portugalidade de que “pretendia trazer o seu próprio aparelho de segurança, materializando os receios de um alegado conflito”, refere o comunicado.

Marcelo critica diretor da faculdade pelo cancelamento da conferência

A Direção da Associação reitera que “não se deixará intimidar pela presença e ameaças de nenhum grupo de extrema-direita” e que “não tem medo do debate livre, que nunca impediu e que continuará a promover na faculdade, assim como os valores democráticos pelos quais se rege”.

Esta quarta-feira, o Presidente da República classificou como "absurda" a decisão do diretor da FCSH/UNL. Marcelo Rebelo de Sousa declarou aos jornalistas que pedirá mais esclarecimentos pois não entende “como é que um responsável de uma instituição pública toma uma decisão daquelas".

Horas depois, a reitoria da Universidade Nova emitiu um comunicado a frisar que a continua a existir na FCSH uma "cultura de liberdade de expressão” e que a conferência "foi adiada" para que o tema possa ser discutido "de forma alargada e objetiva num clima sereno e em condições de completa abertura e diálogo plural”.